dothCom Consultoria Digital
Publicado em 08/10/2009 às 10:24
Atualizado em 10/09/2026 às 13:55
Na avaliação do deputado federal Waldemir Moka, presidente afastado do PMDB regional, se fosse realizada hoje, a convenção nacional do partido não acataria o desejo da cúpula da legenda de se aliar ao PT nas eleições presidenciais em 2010. "A realidade nos Estados dificulta esta aliança", explica o parlamentar, citando o próprio Mato Grosso do Sul que não aceitaria tal composição sob pena de deixar o governador André Puccinelli engessado nas eleições.
Ontem, a cúpula do PMDB decidiu formalizar o apoio à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a indicação de um peemedebista para a vice-presidência da chapa. O presidente deve ser comunicado hoje da decisão.
Moka esclarece que os dirigentes e lideranças nacionais do PMDB não podem decidir sozinhos o futuro da legenda. Eles precisam passar pelos diretórios regionais e governadores. "Os maiores estados que têm o maior número de delegados são contra esta composição porque atrapalha os projetos regionais", reforça.
Apesar da verticalização não vigorar mais, a aliança nacional cria limitações para os candidatos a governador nos Estados. Se o PMDB Nacional fechar apoio à Dilma, André Puccinelli não tem a obrigação de recebê-la em seu palanque, mas, também não pode oferecer apoio oficial ao governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, provável presidenciável tucano.
Os dois não poderiam, por exemplo, aparecer juntos em palanque oficial e nem na propaganda eleitoral em rádio e televisão. André Puccinelli ainda não declarou apoio a Serra, mas acredita-se que este seja o caminho, diante da impossibilidade de aliança com o PT estadual que se organiza para lançar o ex-governador Zeca do PT no ano que vem.
André já declarou em várias ocasiões que não servirá de segundo palanque à Dilma. Se o PT local lançar candidato a governador, ele apoiará o PSDB.
Assim, para a aliança com o PSDB se consolidar oficialmente em MS, o PMDB estadual fará o que estiver ao seu alcance para impedir o acordo entre o partido o grupo de Lula, revela Moka.
"Quero deixar claro que eu pessoalmente não tenho nada contra a aliança entre o PMDB e o PT nacionalmente, mas não podemos aceitar uma situação que nos prejudique no Estado. Queremos deixar o André livre para apoiar o candidato a presidente que quiser no futuro", salienta.
Moka defende que o PMDB não feche aliança nacional com quer que seja e libere os diretórios nos estados para escolher o candidato a presidente da República que bem entenda.
Ele duvida que a composição nacional consiga unir o PMDB e PT em MS, onde há uma rivalidade histórica. "Primeiro que os petistas não querem e segundo que a tendência nossa é caminhar com aliados tracionais como PSDB, DEM, PP e PR", cita.
O deputado informa que usará toda a sua capacidade de articulação política, influência e conhecimento no PMDB para barrar a aliança nacional entre o partido e o PT.
Na mesma situação que Mato Grosso do Sul, ou seja, contrários à aliança nacional estão os diretórios de São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Acre e Pará. "Nas nossas contas, juntando os votos dos convencionais destes Estados à aliança não passa", diz Moka citando que MS, por exemplo, tem pelo menos 26 votos.
Em São Paulo, terra do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer cotado para candidato a vice de Dilma, quem controla o PMDB é Orestes Quércia que pretende ser candidato a senador em uma aliança com o PSDB.
No Pernambuco, Jarbas Vasconcelos que pretende concorrer ao governo do Estado não deve se aliar ao PT local e nem defender a aliança nacional com Dilma.
Moka informa que os deputados do PMDB vão tentar provocar uma reunião com a cúpula do partido na qual pedirão respeito às realidades locais. Outra intenção é marcar uma reunião ente a cúpula e os governadores do PMDB.
Na noite de ontem, ao participar da inauguração da nova Rodoviária de Campo Grande, André Puccinelli não quis comentar a aliança entre PT e PMDB em âmbito nacional. Ele se limitou a dizer que era cedo para tratar do assunto.
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