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Política

Marçal Filho enfrenta dilema político eleitoral

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A onze meses da eleição estadual e federal (2010) e a 35 meses da disputa municipal (2012), as articulações de bastidores correm a todo vapor em Dourados. Conscientes de que a disputa de 2010 é preparatória para a pendenga de 2012, os nomes mais cotados esforçam-se para pavimentar o caminho de suas candidaturas de forma a evitar surpresas desagradáveis. Alguns enfrentarão verdadeiros dilemas. É o caso do deputado federal Marçal Filho.


Recém chegado à Câmara Federal, onde já esteve duas vezes, Marçal tem se destacado no uso da tribuna e na atuação legislativa e já foi apontado, em sucessivas pesquisas oficiais, como um dos fortes candidatos a retornar em 2010. Na classe política, porém, Marçal enfrenta uma verdadeira "briga de foice no escuro" de um lado, um grupo, com ramificações inclusive no Parque dos Poderes, que deseja vê-lo candidato à Assembléia, liberando o caminho para outros candidatos à Câmara Federal. De outro, como era de se esperar, os potenciais candidatos à Assembléia, que não querem ver na disputa um candidato que tem nas mãos o potente microfone de uma emissora de rádio e um histórico de boa votação na cidade e na região. Neste imbróglio, a maior liderança do PMDB, o Governador André Puccinelli, pode ter o voto de minerva. Fica a dúvida: vai ceder às pressões ou fortalecer aquele companheiro que sempre o acompanhou?


Em Brasília, Marçal Filho está compensando o fato de, obedecendo o princípio da anterioridade fiscal, só poder apresentar emendas (e liberar recursos) do Orçamento da União do ano que vem, através do engajamento nas chamadas "lutas gerais" da sociedade, notadamente dos setores mais vulneráveis e, paradoxalmente, menos aquinhoados pelas políticas públicas oficiais. Foi com essa intenção que o deputado tratou de, logo que chegou à capital federal, aderir às Frentes Parlamentares em Defesa dos Aposentados; pela Erradicação do Trabalho Escravo, em Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, em Defesa dos Hospitais e Entidades Filantrópicas na Área da Saúde e de Apoio aos Agentes Comunitários de Saúde. Além disso, o Deputado participa ativamente dos movimentos esporádicos dos setores que protestam e apresentam reivindicações.


A essa atuação coletiva soma-se a extensa agenda que vem cumprindo na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário da Câmara Federal, onde tem assumido funções importantes, como a relatoria do Projeto de Lei (PL) 4434/08, que recompõe perdas das aposentadorias e pensões do INSS, além da participação em uma das comissões do Pré-Sal. Marçal foi também o relator, em plenário, da MP 468 que transferiu para a Caixa Econômica Federal os depósitos extra-judiciais e, na CCJ, do PL 2072/03, de autoria do deputado Fernando Gabeira (PV/RJ), que dispõe sobe a Avaliação Estratégica de Políticas, Planos e Programas relativos ao Meio Ambiente.


Apesar dessa extensa agenda legislativa, Marçal não tem se descuidado dos problemas pontuais do estado. Participou da audiência com o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), que liberou recursos emergenciais para Amambai, assolada por uma chuva de granizo, no Ministério da Justiça protestar, junto com a bancada, contra a transferência de presos do Rio para Campo Grande. Foi também ao Ministério das Cidades pleitear os recursos anunciados ontem pelo prefeito Ari Artuzzi (PDT) e ao Ministério da Agricultura para levar o apoio de MS ao ministro Reinhold Stephanes por sua decisão de não alterar os índices de produtividade agrícola. Marçal apresentou, mesmo no curto período, projetos de lei de alcance amplo, como o que institui a penalização dos bancos por roubos e outros incidentes ocorridos em suas dependências e outros de igual interesse coletivo.


Com essa volta "triunfal" ao cenário político, Marçal despertou a atenção da classe política e, até o início do ano que vem, terá que definir seu futuro político/eleitoral: se tenta a reeleição para a Câmara Federal ou se busca uma vaga na Assembléia. Indagado ontem sobre o dilema hamletiano, o deputado foi lacônico: "Não descarto nenhuma das duas hipóteses, mas nesse momento pretendo corresponder à expectativa da população e continuar exercendo com afinco meu mandato de deputado federal", disse. Sobre a prefeitura, mais mistério: "O povo saberá escolher", apostou. Vale lembrar que em situações anteriores Marçal já foi para o sacrifício em nome do partido, como em 2006, quando abriu mão de uma reeleição garantida para ser candidato a vice de Marisa Serrano na disputa pelo governo do estado. Dessa vez, a coisa pode mudar.

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