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Política

Battisti inicia greve de fome para tentar conter extradição

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O ex-ativista italiano de esquerda Cesare Battisti, que aguarda a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre seu pedido de extradição apresentado pelo governo italiano, iniciou na sexta-feira, 13, uma greve de fome, segundo informou o senador José Nery (PSOL), de acordo com a agência de notícias Ansa.


O senador informou que Battisti está em "greve total de fome" e que ele escreveu uma carta aberta endereçada ao presidente Lula argumentando que não lhe "resta outra alternativa". Segundo fontes que estiveram com o italiano no presídio da Papuda, em Brasília, na sexta, o ex-militante de esquerda está abatido.


Ainda de acordo com Nery, a intenção era entregar o texto ao secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, para que ele o levasse a Lula, antes do presidente iniciar uma viagem internacional. A agenda do mandatário previa sua partida à França para as 22 horas da sexta. O segundo país a ser visitado por Lula na Europa é a Itália, para onde Battisti seria extraditado.


"Sempre lutei pela vida, mas se é para morrer, eu estou pronto, mas, nunca pela mão dos meus carrascos. Aqui neste país, no Brasil, continuarei minha luta até o fim, e, embora cansado, jamais vou desistir de lutar pela verdade", diz Battisti em um trecho da carta.


No documento, Battisti afirma ainda que "é surpreendente e absurdo que a Itália o tenha condenado por ativismo político e no Brasil uns poucos teimam em extraditá-lo com base em envolvimento em crime comum" e agradece a concessão de refúgio dada pelo governo brasileiro. "Entrego minha vida nas mãos de Vossa Excelência e do Povo Brasileiro", conclui o italiano na carta a Lula.


Por sua vez, fontes do escritório do advogado Luis Roberto Barroso, que defende o ex-ativista, disseram que não possuem informações sobre a greve de fome. As mesmas fontes afirmaram que o defensor "esteve na sexta com Battisti e essa informação não era conhecida". 


Condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios cometidos na década de 1970, Battisti é requerido pelo Estado italiano para que cumpra sua pena no país. Contudo, ele obteve do Brasil o status de refugiado político em janeiro deste ano. 


O pedido italiano é agora analisado pelo STF. A primeira votação da Casa, realizada no dia 9 de setembro, terminou com um placar favorável à deportação, que obteve apoio de quatro dos ministros. Os outros três que se pronunciaram votaram pela permanência do italiano no Brasil.


Na sexta, o ministro Marco Aurélio Mello empatou o placar ratificando seu apoio ao refúgio concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. O presidente do Supremo, Gilmar Mendes, suspendeu a sessão sem se pronunciar.


Na última semana, Battisti disse acreditar que o presidente ratificará o seu refúgio caso o STF acate o pedido do governo italiano e ordene a sua extradição. "Eu não perdi a confiança no presidente Lula", disse o italiano em uma entrevista direto da Papuda, onde está detido desde 2007.

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