Num ano de escolhas importantes na política regional e nacional, um dos questionamentos que pode ser levantado é sobre a questão das representatividades regionais. Embora seja desejável que os municípios tenham seus representantes, na prática essa representatividade nem sempre soma como deveria somar. Tudo depende de quem é o representante.
Neste ano alguns nomes estão sendo cogitados para a corrida rumo a Assembléia Legislativa, localmente e com respaldo dos eleitores além ponte. O ex prefeito Felipe Orro é praticamente certo. Já se articula há meses. E o faz além deste contexto, com a busca de apoios e criando uma estrutura de mídia. Tem como um dos trunfos a benção do ex-governador Zeca do PT e do pai, Roberto Orro, que já esteve na Casa. Outro que não esconde o desejo de voltar a Assembléia é o ex-prefeito Raul Freixes, que sempre que pode coloca o prefeito Fauzi Suleiman no cenário, reivindicando apoio.
“Correndo por fora” como alguns gostam de citar, aparecem outros nomes. Muito já se falou em Vanildo Neves, que tem como ponto forte o espaço deixado pelo irmão, Valdir, hoje Conselheiro do Tribunal de Contas. Cipriano Mendes também é citado por alguns setores, como uma opção petista. Ambos, além das questões que envolvem o rito partidário, teriam que resolver o problema das implicações de suas candidaturas para as pretensões do prefeito Fauzi Suleiman, do qual um é vice e outro líder no legislativo. Fauzi, aliás, está no centro deste jogo complexo de interesses e terá que demonstrar sabedoria na definição de suas peças.
Sem um representante na Assembléia Legislativa, Aquidauana não pode se queixar, contudo, do apoio daqueles que lá estão. E no âmbito da Câmara Federal, alguns parlamentares de Mato Grosso do Sul tem feito mais por Aquidauana do que alguém, egresso da região, porém sem iniciativa, poderia fazê-lo. Isto comprova que uma representação legítima nem sempre tem peso, se aqueles que são eleitos não tiverem determinação e garra para o trabalho. Não é difícil encontrarmos exemplos na história de nomes que chegaram lá e fizeram muito pouco pelo ideal de defender os interesses de suas regiões de origem.
Nestes tempos em que Aquidauana conseguiu um conjunto de apoios como poucas vezes em sua história, os candidatos locais, sejam eles quais forem, terão que gastar muita sola de sapato e usar muitos argumentos para convencer os eleitores de que serão melhores do que esses que vestiram a camisa do atual prefeito. Com esse ingrediente a mais, as eleições deste ano para a Assembléia Legislativa desenham-se como uma das mais acirradas dos últimos tempos. Quem viver verá!