O psicólogo Aluizio Vidal Flor, douradense que mora em Porto Velho, observou nesta semana que não agüenta as gozações sobre sua cidade natal, depois das prisões do staff político local e a enorme repercussão dos desdobramentos da Operação Uragano. Outro, estudante de Medicina em Santa Catarina, ouviu colegas “brincarem” quando entrou no ônibus dos estudantes: “cuidado com a carteira!”.
“Temos que agüentar, o que fazer”, observa *Rogério “D”, estudante de agronomia no interior de São Paulo, que diz amar a capital econômica de Mato Grosso do Sul, “apesar de seus gestores públicos”. Seu coração, contudo, tranqüiliza-se ao ouvir de Rogério Arantes, professor de Ciência Política da USP, que “a corrupção está espalhada na franja do sistema”, em todo o país.
Segundo a Folha de São Paulo, Arantes analisou 600 operações da Polícia Federal realizadas de 2003 a 2008. Seu trabalho mostra que a prática criminosa mais combatida é a corrupção pública, com índice de 22,7%, superando inclusive o tráfico de drogas, que contabiliza 15,2%. “Difícil, contudo, é que além da corrupção política, Dourados aparece com freqüência na mídia nacional também por esse outro crime”, lembra Rogério.
Entre as centenas de manifestantes em frente a Câmara Municipal na última segunda feira (13), “Seo” Mário José se diz envergonhado. Costuma defender a cidade nas discussões de família em Rondonópolis. De viagem marcada para a “capital econômica do outro Mato Grosso”, observa: “o que dizer, agora?” Talvez devesse ler relatório da PF. Segundo a instituição, gente interessada em fazer dinheiro ilegalmente existe em toda parte.
Embora reconheçam que a densidade de flagrantes de políticos envolvidos com propinas em Dourados seja impressionante, muitos dos manifestantes que marcam presença em frente ao Forum da cidade mostram-se céticos quanto a medidas mais drásticas de parte da justiça. A propósito as estatísticas comprovam que, passado o choque inicial e o desconforto dos políticos de ter que passar alguns dias ou meses na prisão, são raros os casos em que os acusados sejam julgados e punidos.