Enquanto em Dourados a disputa pelo que sobrou do poder (depois da eleição de Murilo Zauith) agitava na tarde de hoje o Palácio Jaguaribe, onde o vereador Idenor Machado acaba de se eleger presidente, em Campo Grande a troca de advogado de defesa do principal envolvido nos escândalos que sacudiram a cidade nos últimos meses pode dar muito pano pra manga e fazer voltar à estaca zero as investigações que levaram à Operação Uragano, da Polícia Federal e, daí, à prisão e renúncia do prefeito, do vice-prefeito e do presidente da Câmara Municipal. É que o advogado de defesa de Ari Valdecir Artuzi, o criminalista Carlos Marques, teria sido convidado a deixar a ação, assumindo seu lugar na espinhosa tarefa de provar a inocência do ex-prefeito o advogado José Valeriano Fontoura.
O mais intrigante nesta mexida no tabuleiro jurídico da Uragano é que sai um advogado contratado à época de comum acordo entre Valdecir e o deputado Ary Rigo (foto), para entrar um profissional da mais alta confiança dos políticos petistas, de Zeca do PT, particularmente. Lembrando que Rigo, ex-pedetista e aliado de Zeca, trocou de partido (indo para o PSDB) e de lado na política ao apoiar o projeto de reeleição do governador André Puccinelli, levando com ele seu pupilo, o Valdecir. Lembrando também que no frigir dos ovos da maior crise política de Dourados, com reflexos no Parque dos Poderes, em Campo Grande, o próprio Rigo viria a ser uma das maiores vítimas, perdendo a eleição e o bonde da história depois de flagrado falando o que não devia na famigerada série de gravações feitas pelo alcaguete Eleandro Passaia.
O que o Valdecir pretende ao trocar de advogado? Pela disposição que vem demonstrando em falar - de tudo e de todos - nos últimos dias é de se supor que não pretende deixar barato a perda do mandato, os dias que passou no xilindró e, principalmente, a humilhação de, depois de comandar a segunda maior cidade do Mato Grosso do Sul ter de sair por aí vendendo queijo caipira, fabricado por sua Maria, para sobreviver.
Com quem conversa, nos últimos dias, o ex-prefeito diz que se engana quem pensa que ele está morto na política, e que confia piamente numa reviravolta na Uragano, não só com trocas de posições como a que acaba de acontecer em sua defesa, mas de muitas outras figuras exponenciais das investigações e, o que ele mais espera, na história do próprio processo. É aguardar os próximos capítulos desta instigante novela.