Todo mundo quer saber qual vai ser o valor do novo salário mínimo. A Câmara dos Deputados vota nesta quarta-feira (16) a proposta do governo de R$ 545. A oposição e as centrais sindicais querem mais.
Vai ser o primeiro teste no Congresso da presidente Dilma Rousseff. Por isso, vai ser mais um dia de muita negociação, muita conversa. Agora, para chegar aos R$ 545, o governo seguiu uma regra. Definida lá atrás, em 2006, em um acordo assinado por todas as centrais sindicais, que nesta terça-feira (15) recuaram. Elas, que defendiam um mínimo de R$ 580, agora já aceitam R$ 560. No plenário a votação começa no início da tarde.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi embora sem dar entrevista, mas passou o tempo todo conversando com deputados em um plenário lotado.
“A melhor solução para manter o crescimento econômico, a geração de empregos, a melhoria da vida de todos os trabalhadores.
Em nome de tudo isso é que o governo mantem sua proposta de que, em 2011, aplicando-se a regra, o salário mínimo seja de R$ 545”, declarou o ministro.
O PSDB acha pouco. Quer um valor bem maior. “Nós vamos insistir até as últimas instâncias com o salário de R$ 600”, afirmou o senador Álvaro Dias (PSB-PR), líder do partido.
As centrais sindicais recuaram: queriam R$ 580, mas já desistiram. “As centrais sindicais vão continuar pressionando por um salário mínimo agora de R$ 560. Essa conversa, eu até brinquei lá atrás, nós vamos falar com Deus e o diabo para tentar conseguir os R$ 560”, disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).
Durante todo o dia, partidos aliados se reuniram para decidir como votar. “Há um entendimento de todos os parlamentares de que é preciso conjugar o reajuste do salário mínimo e o equilíbrio econômico e fiscal”, observou o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS).
A oposição admite: há motivo para otimismo. “Acho que o governo fez o dever de casa na semana passada em relação ao ajuste fiscal e tem argumentos para convencer a sua base de manter os R$ 545”, acredita o presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Para o governo, é preciso seguir uma regra na hora de calcular o salário mínimo: levar em conta a inflação do ano anterior e o crescimento da economia do país de dois anos antes. O governo considera que, para cada R$ 1 a mais, o impacto é de R$ 286 milhões nos gastos.
“É melhor ter uma política em que a pessoa já sabe quanto vai receber daqui a um ano, sem susto, sem nenhuma surpresa”, defendeu o líder do governo na Câmara, deputado Candido Vaccarezza (PT-SP).
Só depois de garantida a aprovação do valor do salário mínimo é que o governo vai mandar ao Congresso a proposta de reajuste de 4,5% da tabela do Imposto de Renda.