Como deputados federais e senadores desviavam dinheiro. Sem interrogação, assim mesmo, de forma afirmativa, no alto da página 59, da brochura "A máfia do paletó", ilustrada com uma charge sugerindo alguém com um saco de dinheiro, diante de um pedágio, e prenunciando o que seria a ponta do iceberg da Uragano - a operação da Polícia Federal que desmantelou a quadrilha que assaltava os cofres públicos em Dourados. É assim que o radialista Eleandro Passaia (lugar-tenente de Valdecir na roubalheira) abre o que seria o mais explosivo dos 93 capítulos de seu livreto que acabou encalhado nas livrarias. Como se sabe, seguem-se cinco páginas censuradas, que depois acabariam na internet, mas, mesmo assim não retratando toda a verdade do maior escândalo político e administrativo de todos os tempos na terra de seu Marcelino.
Agora, quando a Câmara Municipal de Dourados começa a dar cabo à parte que lhe compete, para encerrar mais um capítulo desta escabrosa história, cassando ou forçando a renuncia os vereadores envolvidos no esquema, cumpre a este Blog, onde tudo começou, colocar os pingos que faltam nos "is". A partir de agora, em capítulos, o internauta vai começar a entender o porquê da censura das páginas do livreto e também por que o único jornalista que denunciou toda a bandalheira desde o início acabou se transformando no principal personagem daquelas tão mal escritas páginas de Passaia.
A revelação do verdadeiro herói da Uragano, feita aqui no último final de semana, foi só o começo. Eleandro Passaia, desta vez, não usou os poderosos microfones das emissoras cujos titulares mantinha em sua cadernetinha de "jabazeiros" para se defender, apenas mandou o mais bobinho deles avisar que não adianta mexer "no passado" e que (agora) não importa quem é o "herói".
Importa, sim, para a história, registrar não apenas como o prefeito de Dourados comandava o mais atrapalhado esquema de corrupção que se tem notícia na história do País, mas quem estava com ele nesta empreitada e, principalmente, quem se beneficiava de tudo isso, principalmente, suas excelências, os nobres deputados e senadores, gente que posa de inocente, de ético e de trabalhador. E isto se faz necessário, diante do surto mercantilista da dita "imprensa" douradense, uns que nada podem mostrar porque estão chafurdados num mar de dívidas, outros para se locupletar, por covardia histórica ou por incompetência mesmo.
O Blog não vai forjar flagrantes em cima de incautos como fez Eleandro Passaia. Aqui o internauta terá verdade, nua e crua, com os diálogos que mostram a verdadeira face não só do maior canalha de toda esta história como daqueles por ele flagrados na ânsia pelo dinheiro para o financiamento de seus projetos políticos e empresariais. Todos, bem entendido, não apenas os que interessam a Passaia e seus comparsas.
Como a Uragano rendeu milhares de páginas, em vários volumes, a coisa será lenta e gradual. E como a Polícia Federal, com base em critérios técnicos e investigativos omitiu diálogos considerados "poucos relevantes", o Blog levará em conta o critério do impacto jornalístico, como, por exemplo, o do deputado que propõe a venda de sua candidatura a prefeito por R$ 2 milhões "em espécie" ao chefe da quadrilha ou sua amada colocando o "homem da sacolinha" na parede por uns trocados "por fora" para pagar um show artístico, percentuais dos "retornos" pedidos por cada parlamenetar, etc. e tal.
E assim, finalmente, Dourados, o Mato Grosso do Sul, o Brasil e o mundo ficarão conhecendo a verdade (inclusive como deputados federais e senadores desviavam dinheiro) que Eleandro Passaia jogou para debaixo do tapete da operação Uragano. "Doela a quem doela", como diria o ex-presidente Collor de Melo.