Em nome da "franqueza" e para construir "uma relação de maior profundidade", a presidente Dilma Rousseff disse neste sábado, 19, ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no pronunciamento conjunto dos chefes de Estado após reunião reservada no Palácio do Planalto, que uma relação comercial mais justa e equilibrada exige "que sejam rompidas as barreiras que se erguem contra nossos produtos". Obama, por sua vez, citou a consolidação democrática no Brasil e enfatizou o crescimento econômico brasileiro ao afirmar que não foi coincidência a escolha do País como a primeira parada em seu périplo pela América Latina.
Dilma agradeceu a "gentileza" da visita, "logo no início" de seu governo e fez questão de se apresentar como herdeira do governo do "querido companheiro Luiz Inácio Lula da Silva, com quem tive a honra de trabalhar." A presidente citou "o legado" de inclusão social do ex-presidente Lula e lembrou que, no Planalto, estavam juntos a primeira a mulher eleita no Brasil e o primeiro presidente dos EUA "afrodescendente".
Crise mundial. Dilma cobrou, de maneira explícita, reformas nos organismos de governança global, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (Bird), e se disse preocupada com a "lentidão" do processo que mantém as instituições como representantes de "um mundo antigo".
Ao citar as Nações Unidas e o Conselho de Segurança, a presidente brasileira fez questão de dizer porque o Brasil disputa um lugar como membro permanente no órgão. "Aqui, senhor presidente, não nos move o interesse menor da ocupação burocrática de espaços de representação. O que nos mobiliza é a certeza que um mundo mais multilateral produzirá benefícios para a paz e harmonia entre os povos."
Ela reconheceu que foram feitos progressos, desde a crise financeira de 2008-2009, mas considerou as mudanças ainda são "limitadas e tardias". A brasileira ressaltou que crê na retomada econômica americana.