Justo, humilde e brincalhão são as palavras usadas por familiares, amigos e autoridades políticas para definir o ex-senador e ex-prefeito da cidade, Lúdio Martins Coelho, sepultado na manhã desta quarta-feira (23), por volta das 11 horas, no cemitério Parque das Primaveras, em Campo Grande. Lúdio Coelho estava internado há cinco dias e morreu em razão de falência múltipla dos órgãos, nesta terça-feira (22), no Hospital Proncor Geral.
A emoção marcou o velório e o sepultamento de Lúdio Coelho. O arcebispo da Arquidiocese de Campo Grande, Dom Vitório Pavanello, fez uma homenagem a Lúdio e falou da sua importância no desenvolvimento de Mato Grosso do Sul.
Para o presidente da Câmara Municipal, Paulo Siufi (PMDB), Lúdio escreveu a história de Campo e de Mato Grosso do Sul. “Ele foi um exemplo positivo na transformação de Campo Grande”, disse o vereador. O mesmo foi dito pelo presidente da Associação de Criadores do Estado (Acrissul), Francisco Maia, que destacou a importante referência de Lúdio na pecuária de MS.
O pecuarista Laucídio Coelho Neto, muito emocionado, disse que seu tio mudou a cara da cidade, além de ter um grande de amor ao próximo. Outro sobrinho de Lúdio, Edmar Neto, disse que Lúdio era como se fosse um avó. “Meu tio era muito sábio, ele praticava o bem, levava os valores que tinha para a sociedade. Ele vai deixar muitas saudades e lembranças”, disse o ex-vereador de Campo Grande.
Entre os empregados que compareceram ao velório estava o motorista Marcelo Fascioni, que trabalhou para Lúdio por 20 anos. “O patrão era muito popular e humilde, ele tratava os empregados com muita bondade”, disse Marcelo. Um dos amigos de Lúdio, o presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso do Sul (Aprosul), Carmélio Roos, afirmou que Lúdio foi um homem ímpar, sempre justo e correto, além de ter um lado divertido e brincalhão.
História de Vida
Nascido em 22 de setembro de 1922, na Fazenda Bela Vista, em Rio Brilhante, a trajetória política e empresarial de Lúdio se confunde com a história de Mato Grosso, ainda como estado uno, e de Mato Grosso do Sul.
Como empreendedor foi presidente do Banco Agrícola de Dourados (1959), superintendente do Banco sul-mato-grossense Financial, participou da instalação do primeiro frigorífico em Mato Grosso do Sul, foi pioneiro na atividade de reflorestamento e o uso do sistema de integração lavoura pecuária, vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Zebu, entre outras dezenas de atividades empresariais e classistas.
Como homem público foi prefeito de Campo Grande por duas vezes, de 1983 a 1985, pelo PMDB, e de 1989 a 1992, pelo PTB. De 1995 a 2003 foi senador pelo PSDB, sendo vice-líder do partido no Senado e presidiu depois a legenda em Mato Grosso do Sul.
A dupla Milionário e José Rico fez uma música inspirada na morte do filho de Lúdio Coelho, o Lúdio Martins Coelho Filho, mais conhecido como Ludinho, que foi morto após ser sequestrado e ter reconhecido um dos sequestradores. A música pode ser ouvida aqui.
Unanimidade
A trajetória de Lúdio Coelho foi relembrada e citada como modelo e exemplo por várias lideranças políticas que conviveram com ele. O ex-governador Wilson Martins, por exemplo, disse que ele foi uma figura marcante para Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, sendo um gestor público dedicado e competente.
Outro ex-governador, Pedro Pedrossian, lembrou que apesar de adversário político, sempre teve muita admiração por Lúdio. “Traçamos caminhos políticos paralelos, que nunca se cruzaram para que pudéssemos caminhar juntos. Cada um sempre teve seu modo de fazer política, mas sempre tive muita admiração e respeito por ele, porque sabia que acima de tudo sempre esteve o interesse pelo bem comum”, ressaltou.
Já o vereador Cristovão Silveira (PSDB), que foi secretário de Comunicação da gestão de Lúdio Coelho na administração de Campo Grande, entre 1989 e 1991, diz que ele era visionário e grande administrador público.
“Eu tive o privilégio de não apenas trabalhar, mas conviver de maneira muito próxima a ele e de aprender com sua filosofia de vida. Mesmo sem muito estudo, graças aos seu conhecimento empírico e empreendedorismo ele estava à frente de seu tempo. A informatização de Campo Grande e implantação do sistema integrado de transporte coletivo nasceram de sua gestão”, frisa o vereador.
A senador Marisa Serrano, por sua vez, recorda o comprometimento que Lúdio Coelho tinha com a gestão pública, tanto que ele costumava dizer que administrava como se fosse uma dona de casa, não gastando mais do que arrecadava.
“Foi uma grande perda, que nos pegou de surpresa Perdemos um grande líder. Ele era o presidente de honra do PSDB em Mato Grosso do Sul e já tinha sido, durante o período em que foi senador, vice-líder do partido na casa. Era uma pessoa com grande capacidade de administração tanto no setor público quanto privado”, concluiu.