O deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) afirmou ontem (19) que o governo federal não quer admitir a existência de uma epidemia no uso do crack em todo o país. Durante visita à região da “cracolândia”, no centro da cidade de São Paulo, o parlamentar, que integra comitiva de deputados da Comissão Especial de Combate às Drogas, enfatizou que é preciso ampliar o debate para que o governo faça o enfrentamento de uma questão que diz respeito às famílias e à sociedade. Vinte e um (21) deputados de diversos partidos participaram da visita ao local, feito em ônibus, sob forte escolta policial.
“É uma ferida, a céu aberto, no coração de São Paulo” relatou o deputado ao considerar que a cracolândia paulista reproduz-se em praticamente todo o país. “Existem cracolândias em Campo Grande (MS), Dourados (MS), Miranda (MS), em quase todas as cidades brasileiras”, observou Mandetta. Para ele, falta maior fiscalização nas fronteiras, faltam leis mais rígidas para os envolvidos, faltam escolas em período integral e faltam clínicas de reabilitação. “O problema do crack estoura na saúde, mas é um problema de segurança nacional”, afirmou.
Endurecer diálogo com Bolívia e Paraguai
O deputado confirmou que apresentou à Comissão Especial de Combate às Drogas uma proposta para que a comitiva de deputados faça uma audiência pública na cidade de Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia, “Narco país onde se produz a cocaína de onde se tira o crack”. O parlamentar defende o uso dos serviços de inteligência e recomenda o endurecimento no diálogo com a Bolívia, “que é tolerante e se financia com o dinheiro do tráfico e com o Paraguai, que facilita a entrada de armas e o trânsito de criminosos que procuram o lucro fácil, sem levar em consideração o sofrimento das famílias brasileiras.