João Amorim se entregou, hoje, na sede da Polícia Federal em Campo Grande. O empreiteiro, investigado por fraude na execução de obras públicas, teve pedido de prisão decretado ontem na terceira fase da Operação Lama Asfáltica.
Defesa do investigado alegava que ele não estava na cidade. Em carro particular, pela manhã, ele adentrou ao prédio da Superintendência da Polícia Federal. Amorim foi encaminhado, em seguida, para o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol). No período da tarde, retornou a cela do Instituto Penal da Capital, onde esteve preso por 42 dias.
O empreiteiro havia sido liberado, em 21 de junho, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio de Mello. Com isso, teve 18 dias de liberdade.
Fotógrafo chegou a ser detido ao registrar imagens no IMOL. Ele teria, supostamente, invadido área restrita do instituto.
AVIÕES DE LAMA
Deflagrada ontem, a operação ?Aviões de Lama? prendeu o ex-deputado federal e secretário de Obras do Estado, Edson Giroto e o cunhado dele, Flavio Scrocchio. Junto com João Amorim eles são suspeitos de praticar crime de lavagem de dinheiro ao negociar compra e venda de aeronaves, tendo duas delas sido apreendidas em Campo Grande e Maringá (PR).
De acordo com a Polícia Federal, a operação "Aviões de Lama?, terceira fase da Lama Asfáltica, decorre da análise da documentação apreendida na segunda fase, denominada ?Fazendas de Lama?.
Trata-se da alienação de aeronave no valor de R$ 2 milhões. A investigação revela que o grupo optou por se desfazer do patrimônio para fazer a divisão do produto da venda em valores menores.
No caso, mediante a entrega de outra aeronave de R$ 350 mil, além de quatro cheques que foram destinados a quatro pessoas, operando assim, o fracionamento do patrimônio com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro obtido com a venda do avião.
A organização criminosa especializada em desviar recursos públicos, inclusive federais, atua no ramo de pavimentação de rodovias, construções, prestação de serviços nas áreas de informática e gráficas. Os contratos sob investigação envolvem mais de R$ 2 bilhões.