Quatro meses depois, com o julgamento batendo à sua porta, o PT partiu para o ataque, reforçando justamente a tal guerra de tribunais proposta por seu principal líder.
Ao chegar à segunda instância, e diante de iminente fervura nos próximos dias, Lula sabe que apenas seus pares e a massa vermelha de eleitores podem criar pressão contra os desembargadores. Hábil nas metáforas, o ex-presidente parece ter dado aos aliados, naquela época, a licença para radicalizar a luta contra a Justiça.
"Para prender Lula, vai ter que matar muita gente", disse Gleisi Hoffmann, hoje.
Dentro do próprio partido há uma divisão entre quem acredita ou não ser essa a melhor estratégia. Entre os que condenam o discurso inflamado estão os que lembram o quanto o PT é acusado, sem provas, de ter arquitetado a morte do prefeito Celso Daniel. Um trauma para os que há mais de 30 anos atuam ao lado de companheiros visionários. Acreditam, inclusive, que qualquer posição pública que beire o radicalismo deveria ser alvo de represália, até para além dos muros do PT.
Por outro lado, o confronto público é visto como única resposta a chamada "Justiça leviana", que tenta levar Lula à prisão sem provas cabais, na avaliação deles.
Com ou sem radicalismo à vista, resta saber como o partido vai se colocar depois do resultado do julgamento, seja pela condenação ou absolvição de Lula. Só então será possível avaliar o peso da bravata política.
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