Eleições 2026
Governador contestou questionamentos sobre saúde, habitação e segurança; também negou encontro com Daniel Vorcaro e apresentou dados da gestão
Publicado em 30/09/2026 às 15:24
Debate da TV Morena foi o último entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul antes do primeiro turno / Divulgação
O governador Eduardo Riedel (PP) reagiu aos questionamentos apresentados pelo candidato Fábio Trad (PT) durante o debate da TV Morena, realizado na noite desta terça-feira (29). Ao longo do confronto, o governador contestou associações feitas pelo adversário, apresentou dados da administração estadual e cobrou a apresentação de provas para sustentar as acusações.
Um dos principais momentos ocorreu quando Trad insistiu em questionar Riedel sobre um suposto encontro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em Nova York. Riedel negou ter se reunido com Vorcaro e explicou que esteve nos Estados Unidos em agenda voltada à atração de investimentos para Mato Grosso do Sul. Ao responder, o governador reforçou que questionamentos dessa natureza precisam estar acompanhados de elementos que comprovem as afirmações feitas durante o debate.
Riedel também respondeu a questionamentos relacionados a episódios investigados na área da saúde, incluindo referências à Santa Casa. O governador ressaltou que a instituição possui gestão privada, embora receba recursos públicos, e defendeu que eventuais irregularidades sejam apuradas e que as responsabilidades sejam individualizadas.
Na discussão sobre prevenção e combate à corrupção, Riedel apresentou números da CGE (Controladoria-Geral do Estado). Segundo os dados citados pelo governador, nos últimos três anos foram recebidas 7.373 denúncias, com apuração dos casos. Nesse período, 189 empresas foram sancionadas e nove delas receberam multas que, juntas, somaram R$ 25,8 milhões em Processos Administrativos de Responsabilização.
Também foi destacada pelo governador a atuação conjunta da CGE, das unidades de controle interno e das corregedorias, além da cooperação com os Ministérios Públicos Estadual e Federal e com a CGU (Controladoria-Geral da União). Riedel afirmou que servidores envolvidos em suspeitas são afastados ou exonerados quando necessário, enquanto as investigações seguem pelos órgãos competentes. Ainda citou o fortalecimento dos controles internos, das corregedorias e dos mecanismos de licitação.
Para um eventual próximo mandato, o governador apontou entre as propostas a ampliação de programas de integridade, gestão de riscos, canais de denúncia e mecanismos de apuração. O plano também prevê a criação do Compliance Social, voltado ao acompanhamento de políticas públicas e programas de transferência de renda.
Na área de habitação, Riedel contestou a interpretação dada por Trad ao mencionar um déficit próximo de 78 mil unidades. O governador explicou que o indicador de déficit habitacional não representa apenas famílias sem moradia, mas também considera situações como coabitação, condições precárias de habitação e comprometimento excessivo da renda com aluguel.
O debate também passou pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Ao responder às críticas de Trad, Riedel citou ações e estruturas já existentes no estado, como a monitoração eletrônica de agressores, as Salas Lilás, o Promuse e as medidas protetivas.
Na segurança pública, o governador destacou, ainda, a integração entre as forças estaduais e federais, especialmente nas ações de enfrentamento às organizações criminosas e de proteção da região de fronteira. Ao final, rebateu a linha de críticas adotada pelo adversário e voltou a defender que o debate eleitoral seja pautado por propostas e informações acompanhadas de comprovação.
“Vou me dirigir ao Fábio para se ater a propostas, não manchar sua biografia com fake news”, afirmou Riedel, em um dos momentos mais incisivos da noite.
O encontro reuniu, ainda, Delcídio Amaral (PRD) e Lucien Rezende (PSOL) e foi o último debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul antes do primeiro turno, marcado para domingo (04). Os quatro blocos abordaram temas como corrupção, segurança, saúde, habitação, educação, economia, meio ambiente e desenvolvimento regional.
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