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Vacinação

Abalado, Zé Gotinha de Maracaju não aguenta mais piadas da internet

Jovem que usou fantasia não quer mais falar sobre o assunto

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Apelidos não faltaram para descrever o 'mito' da internet nesta terça-feira (21), o Zé Gotinha de Maracaju. Mas, por trás da fantasia, o jovem que a usou está cansado da zoeira até certo ponto exagerada de alguns dos internautas, pouco preocupados com o gesto nobre por trás do ato, no dia D da vacinação contra sarampo e poliomelite, no último sábado (18).

De acordo com funcionários do Posto de Saúde Central da cidade, onde as imagens foram registradas, o assunto foi levado com muito bom humor, até o limite, claro. Se a conclusão é óbvia de que não há motivos para se envergonhar diante de uma causa tão nobre, por outro as atitudes exageradas de alguns abalaram quem usou a fantasia. Quebrado o anonimato por alguns e exposto por outros, o jovem estaria nervoso após receber mensagens pelo celular. Isso porque em entrevistas a outros veículos de imprensa disse que temia ser reconhecido, evitando assim virar piada até para os amigos.

"Maracaju vai ficar muito mais conhecida como apenas a cidade da linguiça. É a cidade da vacina também, estamos felizes", disse uma funcionária do local pelo telefone. "O senhor é o sexto ou sétimo que liga aqui, se for para falar da campanha tudo bem, mas tem gente que pega pesado, sabe...", ponderou.

O assunto, claro, já está devidamente esgotado ao jovem que veste a fantasia, filho de uma outra funcionária do local e que não quer mais falar sobre o ocorrido. Era o sentido do tal "pegar pesado" mencionado pela nossa entrevistada. "A gente podia te passar o telefone dele, mas o pessoal está zoando muito, até ofendendo. Ele tem bom coração, vestiu a fantasia, foi voluntário quando ninguém mais quis. Sempre nos ajuda no que é preciso", disse.

Mas a ponderação é inevitável. Os próprios funcionários contam que a fantasia é evitada na unidade de saúde "por acharem ela feia demais",  apesar de ressaltarem que "ninguém se assustou como foi falado." "As crianças estavam felizes e alegres", garantiu.

HISTÓRICO

Personagem criado pelo Ministério da Saúde em 1989, na então gestão José Sarney, Zé Gotinha foi desenvolvido para ter apelo junto ao público infantil, incentivar a vacinação no País e também enaltecer o fim da imunização apenas por seringa e agulha nos postos de saúde, fato que causava verdadeiro pânico nas crianças até aquele ano.

Com traços leves e delicados, a versão oficial teve os primeiros esboços feitos pelo estúdio do quadrinista Maurício de Sousa, pai da imortal Turma da Mônica das histórias em quadrinhos e desenhos. A campanha publicitária inaugural na televisão contou com a participação da apresentadora Xuxa, a então proclamada 'Rainha dos Baixinhos.'

Mas, com o passar do tempo e com a responsabilidade de divulgação das campanhas de vacinação repassadas às prefeituras, não demoraram a aparecer as versões, digamos, menos atrativas do icônico personagem, parte importante da infância de muitos brasileiros.

E neste ano coube a Maracaju figurar em sites e páginas de redes sociais pela internet afora como a responsável pelo pior 'cosplay' - como são chamadas pessoas fantasiadas com roupas de personagens da ficção - de Zé Gotinha. As postagens feitas pela prefeitura em uma rede social, com fotos do Zé Gotinha no  renderam compartilhamentos de todo o Brasil. E, lógico, muitas piadas.

"Isso parece fantasia de filme de terror", exclamavam alguns dos internautas, mantendo a fama de que a internet, óbvio, não perdoa nada. Integrante da Ku Klux Klan (organização norte-americana de cunho racista), fantasma, camisinha usada... A imaginação no mundo virtual é fértil.

Se fama repentina foi aprovada pelas autoridades maracajuenses, até agora não sabemos. Procurada, a prefeitura não respondeu o Correio do Estado até a publicação desta reportagem. A postagem acabou excluída, mas as fotos permaneciam ilustrando a nota oficial sobre o assunto. 

Afinal de contas, como a funcionária do posto de saúde destacou, por bem ou por mal, o Zé Gotinha de Maracaju cumpriu seu objetivo. A meta da Secretaria Municipal da Saúde local é vacinar ao menos 95% das mais de 2.478 crianças do município até o fim de agosto. Com o dia D, o índice alcançado atingiu cerca de 60% da meta, números bem maiores que os registrados nacionalmente e também em estados e municípios.  

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