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Saúde

Aos 100 anos, 'Seo Garcia" vai à sede do O Pantaneiro agradecer homenagem

"Graças a Deus eu ainda posso me emocionar", disse Seo Garcia durante bate papo

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Antônio Rodrigues Garcia, ou seo Garcia, foi caminhando na manhã desta segunda-feira (23), à sede do jornal O Pantaneiro agradecer a homenagem recebida através de matéria publicada sobre seus 100 anos.

Em uma visita muito animada, relembrou histórias com boas risadas e dividiu experiências. 

Durante a visita, ele falou sobre religião e reforçou sobre a importância de poder sentir as emoções, pra fazer sentido. 

“No buraco das araras, papagaios e periquitos. Nossa querida Aquidauana, mãezinha de Anastácio....Eu escrevo com as minhas palavras o que eu ouço, não é o espirito que fala através da minha mão, é eu que falo depois dele entrar no meu corpo, ai que vou escrever o que ouvi do outro lado”, disse em determinado momento. 

Mais adiante, durante o papo, Seo Garcia soltou a seguinte frase, que nos fez refletir.

“Graças a Deus eu ainda posso me emocionar”. 

O seo Garcia, como é carinhosamente chamado, teve sua história contada pela equipe do site O Pantaneiro, nas vésperas de completar o seu centenário

Relembre

Nascido em Campo Grande, Antonio Rodrigues Garcia, o Seo Garcia, escolheu a Princesa do Sul para viver. 

Residindo há muitos anos em frente à Escola CEJAR, Seo Garcia esbanja saúde. 

Teve três filhos com Emigdia Armoa Garcia, a Dona Tota Garcia, com quem foi casado por mais de 70 anos e vivenciaram uma das mais belas histórias de amor do Pantanal, sem dúvida.

De Martelinho à Independente

A história da Rádio Independente de Aquidauana se confunde com a história de Antônio Rodrigues Garcia. Natural de Campo Grande, o fundador da emissora nasceu em 30 de dezembro de 1922 e aos 18 anos de idade, na década de 1940, passa a residir no município de Ponta Porã na fronteira com o Paraguai, para servir ao Exército Brasileiro.

Em 1942, com 20 anos de idade, o então sargento Garcia se estabelece no município de Bela Vista para atuar no 10° Regimento de Cavalaria Independente (RCI), após ter solicitado transferência de Ponta Porã-MS, onde serviu de 1940 a 1942. Em Bela Vista, também na região de fronteira, conheceu Emígdia Armôa (in memorian), na época com 16 anos de idade.

Após um ano de namoro, em 1943, acontece a união matrimonial que resulta nos três filhos: Luiz, Edson (in memorian) e Geraldo.

Em 25 de outubro de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, numa cerimônia bastante discreta pois Garcia, sendo militar e em estado de alerta não poderia se casar sem autorização de seu comandante, o casal contrai as suas núpcias às oito horas da noite na Igreja Matriz de Santo Afonso.

Com o término da guerra, Garcia decidiu deixar a carreira militar. Em 31 de março de 1945 deu baixa. Agora, paisano e casado, volta para Ponta Porã onde havia permanecido sua família. Em 1950, o casal e os três filhos nascidos em Ponta Porã retornam para Bela Vista para, em 01 de julho de 1952, se mudarem para Aquidauana.

Embora o trabalho efetivo numa estação de rádio tenha se concretizado em Aquidauana, Antônio Garcia conta que foi aluno do Instituto Técnico Monitor LDTA de São Paulo na década de 1950 quando ainda residia em Ponta Porã. O curso profissionalizante para conserto de rádio era oferecido na modalidade à distância por meio de correspondência. Inicialmente o intuito do curso era adquirir conhecimento técnico necessário para construir uma estação de rádio em Pedro Juan Caballero no Paraguai. No entanto, o desconhecimento da legislação de radiodifusão do país vizinho o fez desistir da inciativa.

Em Bela Vista, conforme relato, Antônio Garcia trabalhou com o serviço de alto-falantes. A experiência no ramo somado ao conhecimento do curso de conserto de rádio o credenciou para atuar, na década de 1950, como técnico em eletrônica da Rádio Difusora de Aquidauana a convite do proprietário e fundador Elídio Teles de Oliveira.

“Eu vim para Aquidauana em 1952 já com o convite para trabalhar na Rádio Difusora. Trabalhei por quase dez anos. Eu era locutor e, também, cuidava do transmissor”.

Segundo ele, na Difusora a proximidade e amizade estabelecida com o técnico de rádio Francisco Romero, foi fundamental na troca de experiências a respeito de conhecimentos técnicos de radiodifusão.

"Na época, ele me ensinou como fazer uma estação de rádio, pois como ele era o técnico operacional, ele havia acompanhado o Elídio Teles de Oliveira na construção da rádio”.

Na década de 1960, após atuar na rádio Difusora de Aquidauana, Antônio Garcia decidiu concretizar o sonho que trouxe consigo de Ponta Porã, o de implantar uma estação de rádio dando início, assim, a construção de forma manual da segunda emissora aquidauanense: a Rádio Independente.

Era preciso comprar os equipamentos numa fábrica autorizada só que eu pensei:

“Mas eu não tenho dinheiro para mandar fazer uma rádio, comprar ela pronta? Eu vou fazer ela”.

Eu construí desde o toca-discos, com dois motores que havia ganho, sem prato, só os motores. Fiz a mesa de som, numa dessas oficinas ali na esquina da rua Estevão Alves Corrêa. Utilizamos pistões de automóveis que eram de alumínio. Fundimos a peça que eram os pratos para o motorzinho. Fiz a consola do princípio ao fim. A caixa, o circuito, depois o transmissor também. Tudo feito à mão.

A primeira vez que foi ao ar em 1961, em caráter experimental, a emissora estava situada na Rua Assis Ribeiro junto ao prédio da Casa Tamashiro, local onde Antônio Garcia residia com a família. Para o êxito da iniciativa, o fundador da emissora reitera a parceria estabelecida com o ex-técnico da Difusora, Francisco Romero.

O Chico Romero gostava muito de mim, porque eu era um companheiro de conversa, de trabalho. Ele que me orientava. O dia que eu liguei o transmissor para ir ao ar ele ficou surpreso [...] estava tudo certo e no ar com 250 watts. Isso foi em 1961, porque em 1962 eu já tinha da Comissão Técnica de Rádio, a frequência. Mandaram eu entrar em experiência e me deram o prefixo ZYX 20.

Na época, a Independente era conhecida como Rádio Martelinho.

“Eu estava lá numa tarde trabalhando, justamente na construção do transmissor, e umas moças que vieram visitar minha esposa perguntaram: essa que é a martelinho?”, recorda-se o fundador.

Segundo Robba (1992, p.81), o nome faz referência ao trabalho artesanal desenvolvido por Antônio Garcia durante a implantação da emissora. No dia da inauguração, o jornalista Álvaro Pontes, em seu discurso de saudação, comentou que ela havia sido construída a “martelo”. Por isso passou a denominar-se “a emissora do martelinho”.


 

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