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Estudo liga uso de dois antidepressivos na gravidez a anomalias cardíacas no bebê

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Um estudo publicado na edição de novembro do British Journal of Clinical Pharmacology indica que o uso de dois antidepressivos durante a gravidez pode causar anomalias cardíacas no bebê. Segundo a pesquisa, mulheres que tomam fluoxetina nos três primeiros meses de gestação têm quatro vezes mais chances de ter um bebê com problemas cardíacos, e a quantidade de bebês com essas anomalias é três vezes maior em gestantes que tomam paroxetina.


Os pesquisadores, porém, recomendam que as mulheres que tomam esses medicamentos continuem o tratamento, a menos que sejam orientadas, por seu médico, a suspender o uso de antidepressivos. E eles ressaltam que, em mulheres tomando fluoxetina, deve ser realizado um ecocardiograma fetal no terceiro trimestre para diagnosticar possíveis anomalias cardíacas.


Além disso, as gestantes são recomendadas a parar de fumar, visto que o estudo também mostrou que fumar mais de dez cigarros por dia aumenta em cinco vezes os casos de problemas cardíacos no bebê.


No estudo, acompanhando a gravidez de mais de 2 mil mulheres - dentre elas, 410 que tomavam paroxetina e 314 que tomavam fluoxetina -  pesquisadores de Israel, Itália e Alemanha descobriram uma alta taxa de anormalidades cardíacas em mulheres que haviam tomado os antidepressivos e entre as que fumavam mais de dez cigarros por dia.


Os resultados indicaram uma prevalência de problemas cardíacos de 2,8% no grupo que tomou fluoxetina, de 2% no grupo da paroxetina e de 0,6% no grupo controle. Além disso, o índice de interrupção da gestação foi maior nos grupos dos antidepressivos (7,8%; 4,8%; e 2,8%, respectivamente). E, para piorar o quadro, as mulheres que tomavam os medicamentos eram mais propensas a fumar (20,1%; 20,7%; e 7,5%) e a fumar mais de dez cigarros por dia (12,3%, 14%; e 4,4%).


Considerando todos esses fatores, eles calcularam uma probabilidade 4,5 vezes maior de ter um filho com problemas com o uso da fluoxetina; e 2,7 vezes maior risco com o uso do outro antidepressivo. E o fato de fumar menos de dez cigarros por dia aumentaria os riscos em 2,7 vezes, comparados com o aumento de 5,4 vezes entre aquelas que fumavam mais.


Os autores destacaram que não há evidências indicando riscos em outros antidepressivos do mesmo grupo. E que é importante que as mulheres com depressão não abandonem o tratamento, mas saibam dos riscos potenciais e benefícios envolvidos no seu tratamento durante a gravidez.

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