Um estudo publicado na revista especializada Circulation indica que a ansiedade e a depressão estão associadas a um aumento na frequência de dor no peito (angina) em pacientes que já enfrentam esse problema. Por isso, especialistas da Universidade de Washington, nos EUA, apoiam a inclusão do tratamento psicológico nos cuidados aos pacientes com angina.
Angina é uma dor no peito que ocorre em resposta a atividade física ou estresse, quando as artérias coronárias são estreitadas ou bloqueadas pelo endurecimento das artérias (aterosclerose) ou por um coágulo sanguíneo. Ela provoca dor no peito que começa lentamente e vai piorando até ir embora com medicação ou descanso. E pode resultar em isquemia, quando não há sangue suficiente para levar oxigênio para o tecido, que acaba morrendo.
Avaliando, no período entre os anos de 2004 e 2006, 191 pacientes com isquemia, os pesquisadores observaram que 36% não tiveram angina no mês anterior, 35% tinham sintomas de angina mensalmente e 30% tinham dor no peito diariamente ou semanalmente. E, entre esses últimos, 44% tinham ansiedade clinicamente significativa e 64% apresentavam depressão.
Uma análise posterior mostrou que a ansiedade aumentava em 4,7 vezes o risco de sofrer dor no peito; a depressão aumentava o risco em 3,2 vezes; e o histórico de cirurgia coronária estava associado a 2,2 vezes mais chances de sofrer angina.
"A cardiologia americana foca quase exclusivamente em reduzir a isquemia em seus tratamentos de angina (.) mas este estudo sugere que deveríamos também avaliar e tratar depressão e ansiedade em pacientes com angina frequente", conclui o pesquisador Mark Sullivan.
Porém, segundo os autores, "não está claro se esses fatores psicossociais estão verdadeiramente afetando a resposta 'anginal' à isquemia, ou se o aumento do problema da dor torácica está causando intensificação no estresse psicossocial".
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