Lição
Produtora plantou horta em terreno que ganhou da prefeitura e hoje vive disso
Há cidades em que o custo de vida é tão alto que nem mesmo que ganha mais do que dois ou até três salários mínimos consegue sobreviver. Porém, no distrito de Cipolândia, em Aquidauana, uma pequena produtora vive com média de R$ 200 por mês, usufruindo daquilo que a natureza oferece. Neuza de Souza Rodrigues, de 64 anos, começou do nada, e hoje tem uma horta que provém seu sustento e tem sido suficiente para ajudá-la a construir sua casa.
Natural da Bahia, ela veio para Mato Grosso do Sul nos anos 60. Se casou, teve cinco filhos e passou muito tempo trabalhando em fazendas nas cidades Água Clara e Ribas do Rio Pardo. Depois que o marido morreu, foi tentar a sorte em Campo Grande, onde sobrevivia catando latinhas de alumínio. Em seguida, mudou-se para Terenos, onde adquiriu o título de "rainha da sucata". "Me contratavam nas festas para limpar o recinto e recolher as latinhas", disse.
No entanto, ela conta que a vida era muito difícil e mal conseguia o mínimo para sobreviver. Nesta época, teve a oportunidade de conhecer o prefeito de Aquidauana, Odilon Ribeiro, que lhe cedeu dois pequenos lotes, para que ela pudesse recomeçar a vida com mais dignidade. Experiente e calejada por todas as adversidades que havia enfrentado, aproveitou a oportunidade como ninguém e usou o espaço para cultivar verduras e legumes.
Hoje a horta cresceu e produz de tudo, alface, tomate, salsinha, cebolinha, coentro, tomatinho, agrião, batata doce e outros alimentos. "Aqui é tudo limpo, natural, sem agrotóxico. Vou no pasto, recolho esterco dos animais e uso no meu cultivo", explicou. Por mês, comercializa cerca de 300 mudas de alface, entre outros produtos. Somando os custos da produção, lhe sobra cerca de R$ 200, usados para pagar a água, luz e outras despesas.
"Dá pra viver tranquilo com isso, porque pego uma verdurinha aqui, depois vou ali no rio e pesco uns peixinhos. Não uso gás, uso lenha. Esse dinheiro vai mesmo para comprar um arroz, feijão e óleo. Como sou sozinha aqui, demora pra acabar", explica. No meses de muita chuva, em que a produção cai, ela recebe um sacolão da prefeitura. "O prefeito me ajuda muito e sou muito agradecida a ele por me dar um lugar para trabalhar. O sacolão chega a durar três meses".

Mesmo com pouco, ela aproveitou o espaço que tinha e conseguiu construir a própria casa. "Já fiz um quarto, banheiro, sala e cozinha. De pouco em pouco vou indo. Aqui a água e luz são baratas, pago a taxa mínima e vou guardando o que sobra quando vendo bem". O sucesso dela fez com a filha, que hoje mora em Campo Grande, também pense em se mudar para Cipolândia. "Ela já está ajeitando o lotezinho dela. Espero que consiga".
Colaborou Luiz Guido Jr.
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