Despedida
O padre faleceu pela manhã de ontem
Antes de deixar Aquidauana, o padre Thiago Palmeira Machado publicou texto onde agradecia a estadia no município e também deixava palavra de conforto aos fieis.
O padre Thiago Palmeira Machado faleceu pela manhã de ontem em decorrência de uma crise aguda de pancreatite. Em forma de vigília, o ex-pároco do município é velado desde às 23h30 de ontem (5).
Veja o texto na integra:
Te Deum
Escolhi como titulo deste “artigo final” o nome de um hino que se reza com frequência no ofício de Leituras da Liturgia das Horas. Também se entoa como grande hino de ação de graças, em ocasiões solenes da greja. Justamente porque hoje eu entoo meu grande Te Deum por todos os benefícios que Deus me concedeu nestes anos nesta amada terra de Aquidauana.
Sendo este meu último discurso oficial como administrador paroquial, quero oportunamente executar com ele três ações: iluminar, encorajar e agradecer.
Iluminar é uma ação forte, no próprio evangelho Nosso Senhor nos convoca a ser “luz do mundo”, quero pois então iluminar a memória daquilo que estamos tentando viver na Igreja no Brasil e no mundo: Somos uma Igreja onde todos nós somos membros e Cristo é a cabeça, aquele que governa, serve e rege toda nossa Santa Igreja. Ao longo destes 107 anos de paróquia, que iremos celebrar no próximo 04 de abril, todos nós sacerdotes e povo, temos empreendido iniciativas que fizeram Cristo ser amado e conhecido! Porém, muitos de nós também fomos causa de escândalos e pecados e com nossas ações manchamos a imagem da Igreja e ferimos o corpo de Cristo. Irmãos e irmãs já nos recorda o apóstolo «A noite adiantou-se e o dia está próximo. Despojemo-nos, por isso, das obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz» (Rm 13, 12).
O Santo Padre, o papa Francisco, no dia 22 de dezembro de 2018, por ocasião dos votos de natal a Cúria Romana disse: “No mundo turbulento, a barca da Igreja viveu este ano e vive momentos difíceis, sendo acometida por tempestades e furacões. Muitos puseram-se a pedir a intervenção do Mestre, aparentemente adormecido: «Não te importas que pereçamos?» (Mc 4, 38); outros, aturdidos pelas notícias, começaram a perder a confiança nela e a abandoná-la; outros, por medo, por interesse, com segundas intenções, procuraram malhar no seu corpo, aumentando as suas feridas; outros não escondem o seu prazer por a verem abalada; mas muitíssimos outros continuam a agarrar-se com a certeza de que «as portas do Abismo nada poderão contra ela» (Mt 16, 18). Nesta perspectiva encorajo todos vocês a lutarem com amor e ardor por nossa Igreja, recuperem o sentido primitivo de viver em comunidade, abandonar, como já disse, tudo aquilo que fere o Corpo de Cristo. Viver o grande apelo que nossos bispos fazem “ Paróquia: comunidade de comunidades” o êxito de nossas ações está em nossa unidade! Dentro deste encorajamento é oportuno animar toda a comunidade a assumir com fervor em todas as instâncias as metas traçadas em nossa 106 assembleia paroquial de pastoral, onde tratamos de nossos maiores bens: a família e a juventude!
Por fim, não existe agradecimento sem exame de consciência e não existe exame de consciência sem um sincero pedido de perdão. E neste momento quero, após examinar minha consciência, pedir perdão a Deus, aos meus confrades e a todos os paroquianos se minhas ações ou a falta delas provocou escândalo ou te desanimou na fé e no seguimento de Jesus.
Neste mesmo caminho, também perdoo de coração todas aquelas pessoas que com palavras e ações me feriram, não só a mim em caráter pessoal, mas a instituição que represento. Sintam-se perdoados e convertam-se!
Agradecer é, portanto, o ato mais corajoso e generoso que o ser humano pode exercer, justamente porque tem a ver com nossa finitude, com nossos relacionamentos, com emoções e sentimentos! Agradecer pelo tempo vivido, e pelo que partilhamos, dores e alegrias, cada confissão sacramental, cada olhar, cada missa, cada batizado, cada benção! Tudo isso é louvor. Agradecer pelas amizades que fiz aqui, pessoas boas cheias de Deus! Agradecer por vocês terem salvo o meu rim, e salvo ainda por duas vezes (Restauração dos Vitrais e Revitalização da igreja Matriz); Agradecer a todas as lideranças da Paróquia, que não tiveram medo (ou tiveram e não me falaram) que junto conosco, missionários redentoristas, empreendemos uma reforma pastoral e administrativa; um agradecimento especial aos meus conselhos de pastoral e econômico, que não foram poucas as batalhas e nem as horas em reunião! Agradeço o apoio dos órgãos públicos:
Prefeitura Municipal de Aquidauana, na pessoa do querido prefeito Odilon Ferraz Alves Ribeiro e sua esposa Maria Elisa, aos secretários municipais de governo, ao 9 Batalhão de Engenharia e Combate, à Policia Militar e Civil, ao Corpo de Bombeiros, ao Poder Legislativo e Judiciário, ao Governo do Estado do Mato Grosso do Sul, às escolas públicas municipais e estaduais, ao Instituto Educacional Falcão que há anos é uma extensão da Paróquia. Obrigado Professora Gleice e família! Agradeço à Diretoria da ABIMC e todos os voluntários que levam com ardor este projeto sonhado e executado por muitas pessoas.
Por fim, um agradecimento especial, carinhoso e generoso aos meus confrades: Pe. Francisco, Pe. Rodrigo, Pe. Afonso e Pe. Sérgio, por toda a parceria, cumplicidade e amizade. Estamos longe de ser uma comunidade perfeita, mas que vivemos muito bem isso, nós vivemos! Para que um trabalho pastoral seja bem executado e vivido não deve haver superioridade e sim complementariedade, desta maneira conseguiremos levar a mensagem do Cristo Redentor.
Concluo está mensagem com um trecho de uma canção!
Vejam só onde eu fui chegar
Não imaginei ir tão distante assim
Teu olhar por certo me atraiu
E a tua voz ainda ressoa em mim
Neste chão plantei o meu querer
Igual um grão que se entrega ao fim
Cultivei, reguei com a vida
E a luz do sol gerou vida em meu jardim
Já passei por tantos lugares
Descobri: ias sempre ao meu lado
Me acerquei dos teus santos altares
E encontrei abrigo em teu coração sagrado
Como não te ouvir? Tua voz queima-me
Minh'alma quer estar junto de ti, meu Senhor
Dono de mim não sou, me acostumei ser teu
Lutei pra chegar até aqui, pois trago em mim teu amor
Desde que te encontrei e em teu caminho andei
Teus passos imitei e decidi não voltar
Todo o meu querer na estrada atrás ficou
Dizem que o mesmo já não sou, mas trago em mim teu amor
Sou do Amado meu e o meu Amado é meu.
Com minha benção,
Pe.Thiago Palmeira Machado, CSsR.
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