De Aquidauana, Jamal Suleiman, que é médico infectologista e hoje atua no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, revelou como será o seu Dia das Mães e aproveitou para orientar a população como celebrar a data de maneira segura diante da pandemia provocada pelo coronavírus. O assunto foi destaque em reportagem especial do G1.
Jamal perdeu o irmão e a cunhada para a Covid-19. Ele conta que, depois de 15 meses, vai reencontrar a mãe, de 84 anos, neste domingo (9).
"Eu uso todos os EPIs, não circulo e estou imunizado. Minha mãe está isolada desde fevereiro/março do ano passado. Ela recebeu duas doses de vacina e segue mantendo o isolamento. Ela perdeu o filho mais velho, meu irmão, para a Covid-19 e não pudemos estar juntos nesse momento, como em todos os outros. Isso tem sido muito difícil para ela e eu vou ficar com ela esses dois dias. Eu estou deixando a minha mulher, que é avó também, minha neta, que será o primeiro Dia das Mães falando, mas a gente precisa fazer isso", conta o médico.
Além disso, o infectologista lembra que a mãe segue todas as “recomendações prescritas por ele”.
"Minha mãe faz tudo o que eu falo. Ela não tira a máscara em hipótese alguma. Ela é uma excelente cozinheira. E desde o ano passado, as amigas todas estão escondidas. Mesmo vacinadas, elas não se encontram. 'O Jamal fala que é pra ficar aqui', e elas ficam".
Jamal ainda lembra que o Dia das Mães é um evento social, por isso devemos minimizar os riscos.
"As pessoas mais velhas estão sendo imunizadas e isso reduz a chance de doença grave. Mas precisamos considerar que filhos e netos ainda não estão imunizados e é aqui que reside o risco. O Dia das Mães é um evento social, muita gente quer ver o sorriso da mãe, quer dar um beijo na mãe. Nesse contexto, você precisa entender que, se você tirar a máscara, e você for o portador do vírus, sua mãe está em risco."
"Se você está isolado e sua mãe isolada e imunizada, cria uma situação de mais conforto, risco menor. Não existe risco zero, mas é mínimo. Agora, se você não está isolado, o risco é muito alto. Qualquer aglomeração que coloca duas pessoas em uma proximidade menor que um metro, já é um risco. Você vai falar, comer, rir, cantar. É um encontro social. Isso é um risco grande", completa Suleiman.
O Dia das Mães pode dar início a uma nova onda de contaminações, diz o infectologista. "Todos os rituais que contam com pessoas representam riscos. Se as pessoas não entenderem a importância dessa mensagem, agora os pais vão passar a enterrar os filhos, que é tudo o que não queremos. Não se trata de restringir por restringir."
"Precisamos ter responsabilidade. Está com o desejo [de encontrar sua mãe]? Ele é válido. Agora, cuide-se, se organize. Nós já sabemos qual é o período de incubação, qual a margem de segurança para fazer esse encontro. Preste atenção nos detalhes e dá para fazer isso [encontrar a mãe] de maneira adequada", finaliza o infectologista.