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#TBT

Dos shows com a Banda do Barril, Gilmar guarda camisetas da época que aglomerar fazia bem

Saudade fez músico tirar do armário cada uniforme que usou na folia de Carnaval

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De tanto isolamento, máscara e álcool em gel, as pessoas se acostumaram a morar pertinho do "novo normal" pautado pela covid-19. Porém, vez ou outra, a saudade dos velhos tempos bate na porta. No caso de Gilmar Cardozo Gonçalves, o músico aquidauanense e técnico administrativo de 42 anos, a recordação veio com cheiro de roupa guardada no fundo do armário.

Coleção de Gilmar é feita só de camisetas do tempo que participou da Banda do Barril como o mais jovem guitarrista.

No total, sete camisetas formam sua coleção de histórias de quando integrou a Banda do Barril e fez a folia de Carnaval ter um gostinho um tanto quanto pessoal. No seu #TBT (throwback thursday, isto é, a "quinta-feira do retrocesso"), compartilhou na rede social fotos de cada uma das roupas – itens que para ele servem mais do que vestimenta, mas memória viva.

Tocando cavaquinho e guitarra, ele era o mais jovem do time de músicos que consagrou o sucesso da saudosa Pantaneta – convite direto de José Lima Neto, idealizador e patrono da Banda do Barril, além de ser o fundador e diretor do jornal O Pantaneiro.

Tradição no Carnaval da região, Banda do Barril tinha Gilmar como guitarrista – foram pelo menos sete participações.

"Integrei efetivamente de 2009 a 2014, mas tenho registros do Carnaval de 1998 e também da minha primeira micareta, no ano de 2004. A gente misturava um pouco de tudo, desde axé, pagode, samba e – principalmente – as marchinhas carnavalescas. Éramos bem reconhecidos por isso", diz Gilmar.

Na época, a participação incluía todos os dias de folia mais o Enterro dos Ossos. "Tocávamos facilmente umas 5 horas por dia. A realidade é que só tínhamos horário para começar, o término ficava por nossa conta mesmo. Vinha muita gente de Aquidauana, Anastácio e região, até de fora. Era uma alegria contagiante, fora a energia conjunta que praticamente estava guardada o ano todo só para a hora dos shows", brinca.

Gilmar durante show do Banda do Barril; músico leva o cavaquinho e a guitarra como parceiros de perfomance.

A cada ano, um novo conjunto de camiseta e short era distribuído aos integrantes da banda – o uniforme de identificação do grupo. Os shorts Gilmar não possui mais, porém cada uma das camisetas ganhas ainda se encontram sob posse.

"A pandemia mexe muito com a gente. Senti uma falta tremenda nesses últimos dias de estar tocando, de participar de shows, de fazer uma festa. Com a questão da covid-19, sem eventos presenciais, o sentimento fica restrito em casa. Mas ao invés de olhar pro teto, preferi olhar para as camisetas, relembrar de tudo, principalmente dos amigos", afirma.

"Dá uma saudade do Carnaval nessas horas… mais ainda das pessoas que posso chamar de amigos".

Registro do ano de 1998; Gilmar poderia até ser o "moleque" da banda, mas sempre fez um som de gente grande.

Carnaval que é bom não podia deixar de ter aquela boa dose de zoeira. Em uma das histórias colecionadas, Gilmar passou por uma aventura sem igual. "Em uma das cheias do Rio Aquidauana, atravessamos a Ponte Velha em cima da caminhonete do Lima Neto, com aquela correnteza pelo asfalto. Foi muita loucura! Mas só passamos por essa adrenalina pois tínhamos que fazer o show acontecer. E posso dizer? Valeu a pena o perigo".

Além das camisetas da Banda do Barril, Gilmar relembrou os velhos tempos que fazia o pagode rolar solta – também por meio de roupas. De início, quando era adolescente, com o Só Muleke para, depois, o grupo Só Pagode e atualmente integrando o Mania de Samba, com atividades paralisadas devido à pandemia.

Além da Banda do Barril, Gilmar é o pagodeiro da Mania de Samba, também com atividades paralisadas na pandemia.

Mesmo sem poder fabricar novas memórias, Gilmar reconhece o valor daquela época vivida, mas com a esperança de ainda voltar a tocar mais música por aí. "Da Banda do Barril, tenho muito a agradecer o Lima Neto pela oportunidade. Foi uma época que guardo com muito carinho, bem representativa pessoalmente e também para a cidade. No coração, permanece a saudade", finaliza.

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