Dê uma força
Eva produz e comercializa compotas no intuito de custear exames particulares
Com o "pezinho" nos 60, Eva de Jesus é a zeladora de escola da rede particular em Aquidauana que ama muito o que faz. Mas não só de amor viver a mulher, que já mostra sinais que de tanto trabalho duro o corpo vem pedindo sossego. Há alguns anos, ela foi diagnosticada com prolapso uterino (quando o útero se desprende e desce para o interior da vagina), além de lutar contra fortes dores na coluna.
"Desde que me entendo por gente, na vida adulta, venho sentindo essas dores. A partir dos 40, a coisa se agravou. Vivo a base de analgésico pois quando faço trabalho de serviços gerais, limpeza ou até mesmo de zeladora, chego em casa quase que pra morrer. Mas sobrevivo. Todo dia volto a me levantar e ser essa pessoa ativa", conta a mulher de 59 anos.
Sem poder contar com a ajuda do SUS (Sistema Único de Saúde), Eva tem que recorrer à exames particulares para ter a certeza do que se trata e poder se livrar – seja por meio de cirurgia ou uso de medicamentos – desse quadro "infernal". Para isso, decidiu comercializar compostas de doces com gostinho de avó, aprendizado de família.
Doces de mamão e abóbora são a especialidade de Eva – intuito é pagar exames na rede particular e resolver as dores."Foi com dona Honória, minha mãe, nos anos de fazenda que aprendi a fazer cada doce. Ela fazia de tudo um pouco, e eu junto dela. Vivíamos uma vida simples, de roça: nossa moradia de palha, fogão a lenha, chão de terra batida, luz de lamparina. Geladeira? Nem sabíamos do que se tratava. Para se ter uma ideia, fui conhecer o que era televisão só aos 29 anos. De qualquer maneira, era uma vida gostosa e saudável", reflete.
Para cada pote, Eva comercializa pelo valor de R$ 20,00. Os sabores são bastante tradicionais: mamão espelhado, abóbora em pedaços e coco com mamão ralado. Ela mesma quem produz as compostas na intenção de juntar o montante necessário para a realização dos exames. "E são vários. De coluna, de rim, de útero… o total pode chegar a uns R$ 500 aproximados, e o SUS não cobre. A cada dia, o tempo passa e a dor aumenta", suspira.
Eva segurando compota de mamão; enquanto mulher trabalheira, por 59 anos ela praticou atividades da "vida simples".Mulher trabalhadeira, há pelo menos 10 anos Eva é zeladora no ensino infantil. Na sua vida, a lida sempre envolveu muita atividade física. "Antes do meu emprego atual, já fui doméstica e até fiz serviços gerais em fazendas. Carreguei muito balde de água no ombro, na cabeça, andando por mais de 5 quilômetros… acho que por isso as dores começaram. A gente vai se cansando, né? Envelhecer desgasta", confessa.
Mesmo com o lamento da situação de saúde, a quase sessentona tem mais a agradecer pelas coisas que a vida lhe deu. "Tenho casa própria, minhas coisinhas, filho, maridão. Isso me deixa feliz, é gratificante. E continuo trabalhando, o que me faz ser produtiva, mostra minha vitalidade. Agora, os exames, os problemas de saúde, pra isso tem solução. Tudo é adaptável. Vamos ver o que é que eu tenho e daí em seguida ver o que posso ou não mais fazer. A gente, no fim das contas, temos que sorrir pra vida", finaliza.
Para ajudar Eva e adquirir alguma de suas compostas, basta mandar um WhatsApp ou ligar para os telefones (67) 99901-5082 / 99901-5413. Falar com a própria Eva ou seu esposo Wagner.
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