5 minutos
Essa história triste também é feliz, e promete lhe causar um calorzinho no coração
Por 59 anos, Jayme Cacho e Fermina dos Santos formaram o par perfeito. Nascidos em Jardim, distante 143 quilômetros de Aquidauana, lá se conheceram e o resto virou história. Bastou selarem os votos com aliança "sagrada" para nunca mais largarem a mão um do outro. E de tão juntos formaram família, tendo 5 filhas, 14 netos e ainda 19 bisnetinhos ao longo dos anos – somatória feita na matemática do amor. Simplesmente, viveram o que "era para ser".
E por ser o que é – ou no caso o que um dia foi –, dividiram amor, respeito e um tamanho companheirismo até na hora da morte: com apenas 5 minutos de diferença, os dois se despediram da vida em sequência, deixando o legado conjunto na memória e um exemplo de que até na hora de dizer adeus é possível fazer bonito.
"A despedida obrigatória é dilacerante, mas o que me conforta é saber que eles seguiram em união para o plano celestial. Esses dois só nos deixaram coisas boas: ficou o amor, os ensinamentos, as histórias que enchem livros e lembranças felizes que aquecem o coração. Quase como um presente de Deus, sou grata pela oportunidade de ter acompanhado meus pais nesses anos todos que os tive por perto. Agora, Deus os chamou de volta", escreveu a filha Rosely Cacho nas redes sociais.
Robert ao lado dos avós; para o neto, "encontro de almas" foi muito além da vida, seguindo agora para a eternidade.O falecimento do casal aconteceu na última sexta-feira, dia 18. Com problemas pulmonares, seu Jayme era um paciente em quadro evolutivo quando, dois dias antes, teve piora considerável. Naquela época, dona Firmina apresentou sintomas de covid-19 e foi logo medicada. Porém, no mesmo dia que o esposo piorou, ela também teve um mal estar. Após receberem atendimento médico em casa, ambos foram levados de ambulância ao hospital e tiveram internação.
Jayme deu entrada com muita falta de ar, saturação baixa e recebeu suporte imediato de oxigênio. Fermina também teve atendimento no pronto socorro, porém foi transferida para o Hospital Funrural de Aquidauana por apresentar um "quadro melhor". Mesmo longe do maridão, a esposa permanecia lúcida e se alimentando. Diferente dela, seu velho companheiro tinha uma piora crescente.
Segundo relato das filhas, dona Fermina passava bem naquela sexta-feira fatídica. Conversou sobre diversos assuntos, lembrou o passado, jantou à noite, assistiu a novelinha certa hora, disse à filha presente que estava com sono e iria se virar para dormir. Nesse instante, pediu outro cobertor pois estava com frio. Foi aí que veio a convulsão, um agravo repentino que culminou na sua intubação e nova transferência – de volta aos "braços" de Jayme.
Mesmo isso sendo feito e com todo o amparo da equipe médica, o casal de velhinhos já estava em quadro irreversível. No momento em que Fermina piorou, Jayme também. Praticamente esperando a esposa chegar para morrer, ele veio a óbito naquela noite e – questão de 5 minutos depois – "sua velha" também o acompanhou após ter duas paradas cardiorrespiratórias.
Aos 82 anos, entrelaçaram as mãos pela última vez e partiram da vida em paz.
Esperando a esposa chegar no hospital para "se despedir", Jayme foi embora da vida às 23h30; já Fermina, às 23h35.Aniversário – Nesta quarta-feira (23), a família agendou a missa de sétimo dia do casal na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, às 19h. O motivo é nobre: seria o dia em que seu Jayme completaria mais 1 ano de vida.
"Após 59 anos juntos, família constituída, linda história de amor, um forte elo entre os dois, que de tão forte foi parar além da vida, marcamos a missa de sétimo dia. Assim, no dia do aniversário do meu pai, podemos acompanhar do lado de cá a jornada dos dois para a eternidade", disse a filha.
Para encerrar, Robert Cacho de Barros, filho de Rosely e neto do casal de dois amores, também escreveu um texto em seu perfil no Instagram sobre esse "encontro de almas". Segue abaixo:
"Dona Fermina e seu Jayme – para os sortudos como eu –, vó e vô. Não sei no que vocês acreditam ou se é que acreditam em alguma coisa, mas acho que uma crença comum a todo mundo é o amor. Precisamos acreditar nele. E aí que entra esses dois na história. Fui por 10 anos o neto caçula da filha, então tive certos privilégios. Pude conhecer desde muito cedo o amor que eles transmitiam: minha avó com todo seu conhecimento natural – nada acadêmico mas de vida – me ensinou a ler aos 5 anos com suas singelas cartilhas. Logo meu avô com sua habilidade em números, e veio dele o aprendizado da tabuada e muito possivelmente meu talento para exatas. Os dois vieram ao mundo com a missão de compartilhar amor, honestidade, importância da família e mil coisas mais. Aliás, não só ensinaram mas como viviam aquilo. A única coisa que se esqueceram de ensinar foi como lidar com a falta dos dois. Ao se despedirem fizeram isso juntos, pois nem ao menos ficaram alguns minutos um sem o outro. Como eu havia dito, esse texto é sobre encontro de almas. A deles foi passar 59 anos casados em vida, e agora eternamente em morte. A dor é grande, mas sei que estão a olhar pela gente como sempre fizeram. Inclusive, papai do céu limpe tudo aí, vai chegar o rei e a rainha precisando dormir".
AGROCASTMS
Especialistas da AgroAlliance explicam como as mudanças na legislação podem impactar produtores rurais e empresas do setor
TRAGÉDIA
Wellington Carmo de Oliveira tinha 10 anos de experiência na aviação agrícola; causas da queda ainda são investigadas
Voltar ao topo