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Centenário

Herói pantaneiro, seu Jerônimo chega aos 100 com sorriso no rosto e vitalidade para "dar e vender"

Em conversa ao O Pantaneiro, esse sertanejo, ex-domador de boi "brabo" e pai de 15 filhos, se considera aos 100 anos de idade simplesmente "um homem feliz"

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O último dia do mês de julho foi de festa para Jerônimo Ferreira Barbosa. O herói-pantaneiro, sertanejo que domava tudo que era boi "brabo", campo-grandense de nascença mas aquidauanense de coração, completou – nada mais, nada menos – do que 100 anos de vida. Com sorriso de orelha a orelha, pelo visto esse senhorzinho tem muito a agradecer.

"Graças a Deus sou um homem feliz. Estou vivo!
Mesmo com as dificuldades e tristezas passadas, persisto na força e na graça do Senhor".

Debaixo do braço, seu Jerônimo leva histórias para contar. Ex-morador do distrito de Cipolândia, distante 66 quilômetros de Aquidauana, trabalhou por muito tempo na fazenda Morro do Chapéu. Na atividade de sertanejo, acabou assumindo aos 100 o "papel" de herói-pantaneiro.

Herói pantaneiro, seu Jerônimo chega aos 100 anos de idade com sorriso no rosto e vitalidade para "dar e vender".

"Não era fácil, porque eu trabalhava feito um doido. Morava no mato, com sol e chuva no lombo, mexendo só com gado selvagem… mas vendia tudo no final. Graças a deus! Isso até os meus 80 e poucos anos. Nunca fui um homem da cidade, sempre tive um ar de aventureiro", se descreve.

E por toda a vida, exerceu o que mais gostava com dedicação, amor e carinho. "Já vendi 800 bois de uma vez só, todos gordos. Comprava magrinho e engordava-os bem. Gostava muito daquilo. Aquilo me fazia feliz", recorda.

Homem do campo, seu Jerônimo trabalhou até os 80 anos como domador de gado selvagem; "amava o que fazia".

Mas não é só de alegria que a vida de seu Jerônimo foi tecida. Alguns amargores também fazem parte da sua história. Como perder um filho aos 46 anos de idade.

"Morreu de repente. Até hoje não sei direito o que aconteceu. Ele não tinha nada, estava bem de saúde. Simplesmente, foi repousar e morreu, indo de encontro ao Pai Celestial. Fiquei muito aborrecido na época. Mas eu não poderia desfazer daquilo, afinal foi Deus quem escreveu aquele caminho. O que foi que eu fiz? Continue minha vida, encontrando outras alegrias no caminho".

No distrito de Cipolândia, criou os 10 filhos e outros 5 de criação; hoje, vive sadio e independente em Aquidauana.
Candida Alves de Lima era a esposa de seu Jerônimo; por quase 70 anos, viveram juntos e formaram grande família.

Pai de 9 filhos e outro 5 de criação, seu Jerônimo formou – com a ajuda de dona Candida, sua esposa já falecida – uma família grande, com mais de 50 integrantes. De tantos netos e bisnetos, já nem conta mais nos dedos.

"Mas eu tenho muito a agradecê-los. Dia 31 fechei os meus 100 anos ao lado de quem mais amo, da minha família. Ainda, pensando em todos aqueles amigos que não puderam estar presente aqui comigo, mas que nunca me abandonaram na jornada", diz.

WhatsApp Image 2021 07 31 at 13.47.56 (1)No último sábado (31), dia do centenário de seu Jerônimo, parte de sua família veio assoprar a velinha ao seu lado.

Sobre aqueles que padeceram do novo coronavírus, esse senhorzinho querido confirma: "é uma doença muito triste".

"Já tomei as duas doses necessárias, bem no início da vacinação. Esse vírus está acabando com o povo. Se Deus quiser logo para, mas a gente precisa ajudar também. Pessoal não tem capricho, cuidado, zelo. Deveríamos nos ajudar mais, é uma pena".

Consciente "da cabeça", a par de tudo e independe de vida, seu Jerônimo ainda faz piada para descontrair: "até hoje tomo minha cervejinha, vez em quando uma dose de uísque. São meus remédios", brinca.

"Pegar com Deus e tocar a vida pra frente": essa é a fórmula de vida de seu Jerônimo; " o que vier a mais é lucro".

Fórmula longeva – Ao O Pantaneiro, seu Jerônimo compartilha o sucesso que é chegar aos 100 anos. Simplesmente:

"Pegar com Deus e tocar a vida pra frente. Temos que viver bem vivido. O que vier pelo caminho é lucro".

"Melhor mesmo é não reclamar. Sou uma pessoa que não me estresso ou choro por qualquer coisa. De jeito nenhum! Nessa vida é preciso muita coragem. Afinal, temos que enfrentar as circunstâncias, o que for para ser, será. Da mesma forma, o que não for para ser, não será. Esta é minha fórmula de vida. Gosto de seguir assim mesmo, cuidando de mim, dos outros, agradecer a comida que tenho na mesa e a saúde no peito. Nunca me faltou nada. Nunca precisei culpar ninguém. E vou morrer, de Deus quiser, desse mesmo jeitinho", finaliza.

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