Ciência
Pesquisadora mostra que O Pantaneiro fez história e contribuiu com a cultura em MS
A pesquisadora Lise Rossi Jones Lima fez a sua defesa de Dissertação do mestrado nessa segunda-feira, dia 27, contando a história do Jornal O Pantaneiro desde a sua criação e mostrando que o impresso fez história contribuindo com a cultura pantaneira em Mato Grosso do Sul e com publicações dando voz às mulheres ainda nas primeiras edições em 1965.
Como tema: Jornal O Pantaneiro: Memória, História e Cultura, a pesquisadora levou à banca examinadora da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), demonstrando a importância do impresso para a sociedade do Estado.
Essas mulheres usavam pseudônimos em artigos sociais e críticos à sociedade de Aquidauana e região, e a pesquisadora descobriu algo inédito na história da imprensa da região pantaneira.
A Banca Examinadora foi composta pelos professores: Antônio Firmino de Oliveira Neto (UFMS/CPAQ), presidente, Edvaldo Correa Sotana (UFMT), coorientador, Eudes Fernando Leite (UFGD) e Patrícia Zaczuk Bassinello (UFMS/CPAQ).
Lise explicou que o objeto da pesquisa para o programa de pós-graduação em estudos culturais é o Jornal O Pantaneiro com o recorte temporal de 1965 a 1978.
“O objetivo da pesquisa foi investigar a trajetória do Jornal O Pantaneiro e suas características, bem como a atuação de seus dirigentes e a produção das primeiras vozes femininas que colaboram com o periódico”, disse ela.
Ela afirmou que a inspiração por essa pesquisa originou-se do fato de o jornal ter sido seu ambiente de trabalho por muitos anos. “O jornal foi meu ambiente de trabalho durante um período e, atualmente, possui mais de 50 anos de circulação em Aquidauana. E isso, por si só, é um feito muito importante para nossa região. E isso trouxe muita motivação para essa pesquisa.”
Ela analisou os editoriais e questões de identidade se baseando em estudos culturais, comunicação e história durante a pesquisa. Lise utilizou como metodologia pesquisa bibliográfica e documental, sendo que sua pesquisa gerou quatro capítulos.
A pesquisadora conta que O Pantaneiro foi fundado em 5 de maio de 1965, tendo a escolha do nome como homenagem aos pecuaristas do Estado [ainda Mato Grosso uno naquela época]. “Essa data foi marcante para o município de Aquidauana, pois se comemorava na cidade o dia do patrono Marechal Rondon, figura muito importante na cidade. Ele residiu por alguns anos em Aquidauana no início do século passado, e faz parte da história da cidade. E esse era um dia de grande movimento no município.”
“As primeiras edições foram rodadas em uma gráfica chamada Efigênia, em um edifico no Centro da cidade. Os fundadores foram Oscar de Barros Filho, Augusto A. Correa e Aldo Royg [dono da gráfica Efigênia]. Foram adquiridos novos maquinários e o Aldo tinha o sonho de lançar o semanário na região. Ele propôs o desafio aos amigos e eles aceitaram.”
Oscar de Barros assumiu como Diretor-Gerente e Augusto Alves Corrêa como Diretor-Redator. O trio permaneceu por três meses, e, após isso, Oscar e Augusto fizeram carta de despedida, saindo do projeto ficando apenas Aldo Royg.
Vozes femininas
Lise afirma que durante a pesquisa buscou-se identificar vozes femininas que manifestaram pelo semanário as suas impressões. Ainda no século passado, onde era difícil mulheres na comunicação, três figuras foram certeiras em suas colunas: Dirce Jordão de A. Serra, Albana Xavier Nogueira e Dóris Mendes Trindade.
“Dirce em 1968 iniciou uma das colunas mais importantes do O Pantaneiro. Teve contribuição imensa a área jornalística da cidade e, em 1970, conseguiu registro profissional na área da comunicação. Ela fazia cobertura social, gostava muito de moda e seus artigos eram voltados para isso. Ela assumiu como redatora em 1980.”
A pesquisadora pontuou à banca que, desde a primeira edição, conseguiu encontrar uma coluna intitulada “Opinião Feminina”. “Esses artigos eram muito criticos perante as vivências e realidades de Aquidauana. Buscamos saber quem era Maria Pereira, que se perguntava e não concordava como as mulheres aquidauanenses eram tratadas. Pois, na época, as casadas eram consideradas pessoas de sucesso e as solteiras desafortunadas.”

Lise pontua que demorou a encontrar vestígios de quem fosse Maria Pereira e, somente após muita pesquisa, descobriu que se tratava de Dóris Mendes Trindade, que na época era de família tradicional e diretora do GIC (Ginásio Imaculada Conceição). Por isso, adotou o pseudônimo para que pudesse se expressar de maneira livre.
Outro artigo investigado foi assinado por A. Nogueira, e descobriu-se que se tratava de Albana Xavier Nogueira. “Após algumas análises descobrimos um nome Almiro Flores Nogueira, depois vimos mais quatro artigos com A. Nogueira. Inicialmente a escrita era impessoal e não se sabia se era um homem ou uma mulher. Depois, o texto já aparentava ser no feminino. Então, ligamos para a professora Albana e ela nos contou, que a pedido do pai Almiro Flores, ela escrevia esses artigos para ele. A professora Albana é uma das pesquisadoras de maior renome da cultura pantaneira.”
1975
O jornal O Pantaneiro foi vendido para dois professores: Orlando Pascotto e José Lima Neto.
Essa sociedade entre Orlando e José Lima durou dois anos. Eles montaram a gráfica Bodoquena em Bonito. José Lima Neto, assumiu de vez o jornal em 1978 e, por muitos anos, teve como sócia a esposa Alice Bonafé Tavares Lima.
“Desde a fundação, os diretores diziam que não eram presos a ninguém e nenhuma agremiação partidária. E por esse fim que nasceu O Pantaneiro, livre como uma andorinha. José Lima Neto deu continuidade a este pensamento, já que foi detido antes de se mudar para Aquidauana no 30º Congresso de Ibiúna durante a Ditadura Militar e isso coincide também com objetivo de sempre buscar a liberdade de expressão”, disse ela.
Em 2003, o filho Rhobson Tavares Lima lançou a versão online, hoje o portal de notícias O Pantaneiro, que completará duas décadas de existência no mês de maio.

“Importante dizer que, desde 1965, não houve interrupção da confecção do Jornal O Pantaneiro. O impresso sempre foi confeccionado”, destacou a pesquisadora, que lembrou que devido às enchentes de 1990 e 1991 parte do acervo foi perdido.
“Esses estudos nos apresentam a importância da representatividade, do jornal como importante a cultura, a participação das mulheres nas primeiras edições, trazendo um ineditismo, já que muitas pessoas não sabiam das participações delas, que assinavam com pseudônimo. O Pantaneiro cumpriu o papel social e da cidadania. Espera-se em breve a parceria com o poder público para digitalização de todas as edições que contam a história de Aquidauana", finalizou a pesquisadora.
Veja a defesa da dissertação:
INTERNACIONAL
Santiago Peña deixou o cargo em meio à crise do banco Ueno; vice Pedro Alliana assumiu o governo
NOTA DE FALECIMENTO
Natural de Porto Murtinho, ela viveu por mais de sete décadas de história na cidade. O seu velório teve início às 5h, na Capela da Pax Universal e o sepultamento está programado para as 16h.
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