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Inspiração

Na vida, devemos sim, pintar e bordar como faz dona Marina Oshiro

Aprender está sendo o verbo que dessa saudável relação da artista com a vida

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Parte da vida, o ser humano passa estudando, lendo, aprendendo, se aperfeiçoando, buscando exaustivamente crescer profissionalmente. Muitas vezes, sem perceber que essas coisas importantes, devem ceder espaço na vida, às atividades que nem sempre profissionalizam uma pessoa, mas realizam tanto quanto. 

E aprender está sendo o verbo que dona Marina Oshiro, 84 anos, tem praticado na vida. É bem verdade que ela também ensina. Mas nessa reportagem, a idosa que será o tema, é apresentada como uma aluna dedicada e talentosa para as artes plásticas. Entre outras artes, dona Marina, estuda pintura de óleo sobre tela, há 17 anos, com a professora Cris Prado, de Anastácio. Segundo a professora, ela vem demonstrando, além de talento, gostar muito dessa atividade que desempenha com satisfação, e um bom potencial. Dona Marina diz gostar das aulas porque nelas também passa momentos descontraídos e produtivos.


"É muito bom porque a gente já está mais com folga, então vem pra cá, passa as horas conversando, adquirindo conhecimento, e também fazendo o trabalho. Na brincadeira, devagarinho e aos poucos. A gente também tem os afazeres da gente, também em casa. É bom ir aprendendo, tomando mais cuidado. Está boa a aula. É muito bom porque a gente se ocupa, é coisa boa. É uma ocupação boa porque passam as horas, vai fazendo vai aprendendo. Eu recomendo. Tem tanta gente dizendo que não tem o que fazer. Como não tem.  A gente tem tanta coisa pra fazer, não é? Nunca é tarde, é coisa boa a gente aprender as coisas".

Marina Oshiro, 84 anos - Foto: Ronald Regis


Dona Marina Oshiro, com seu jeito sereno, dava a entrevista entre pinceladas pacientes e delicadas, numa grande tela, onde reproduzia com cores vibrantes, a imagem quase que real de um muro com um portão com ramalhetes floridos se espalhando sobre ambos. E como disse a aluna na reportagem, "é coisa boa a gente aprender as coisas", ela realmente coloca em prática essa reflexão porque além de estar recebendo as aulas de pintura, dona Marina ensinou a professora Cris, a bordar em ponto cruz, num movimento que prova que o verbo aprender é uma ação que realmente não para.

Marina Carmona, outra aluna que também está aprendendo com a pintura - Foto: Ronald Regis

A arte como caminho para conseguir vencer certas limitações pessoais

E nessa construção, outra aluna que também está aprendendo com a pintura é a professora aposentada, que também se chama Marina Carmona, e há três anos após se aposentar, entrou para as aulas de pintura e percebe como é positivo estar aprendendo algo novo.


"Depois que eu me aposentei eu tinha que arrumar algum afazer para minha vida. Aí eu vim para Cris, e preencheu muito mesmo. Porque é um momento em que a gente esquece as coisas da vida, ele se concentra aqui em fazer arte. É uma terapia, acaba sendo uma terapia, realmente. E atenção, é a mão que tem que estar firme, para pintar. Seria o ideal se todo mundo pudesse ter essa prática de fazer algum tipo de artesanato para ajudar na velhice que vem chegando. As minhas maiores incentivadoras são as minhas filhas. Isso faz um bem muito grande, quando você vê uma tela na parede, e você olha e diz, foi eu que fiz. Então, a gente acaba vencendo barreiras que existiam antes, que a gente julgava não ser capaz, e no final acaba sendo uma coisa linda".

Descobrindo a liberdade através da arte- Foto: Ronald Regis

As duas alunas já carregam um acervo de seu orgulhoso trabalho que acaba ficando dentro de casa, porque os filhos disputam entre si um trabalho ou outro feito pela mãe. Dona Marina Oshiro, por exemplo, já tem mais de 40 telas nesses 17 anos de pintura e a Marina Carmona cerca de dez telas em três anos de estudo. O que as duas deixam com mensagem principal, é que elas foram professoras, e passaram a vida ensinando. Hoje, aposentadas, estão sentadas no banco, para aprender, mas dessa vez, aprender a dar cor a uma tela ou até mesmo a própria vida.     

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