Aquidauana
A pedagoga Maria Alexandra da Silva é um dos exemplos de atuação em favor da educação. A Terena nasceu e foi criada na aldeia Ipegue, filha da anciã e líder Miguelina da Silva.
Maria Alexandra escolheu o curso de Pedagogia e graduou-se pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), no campus de Aquidauana. Na área acadêmica, especializou-se em gestão escolar, mantendo as atividades de educadora e artesã de abanicos tradicionais Terena de palha de carandá. Foi a maneira que encontrou de manter uma tradição passada de geração para geração.

Atualmente é conhecida como Amipê'e e tem o trabalho registrado e comercializado na página do Instagram: amipemaria. Maria tem 52 anos, 27 deles dedicados à atuação pública na educação escolar indígena. Nos anos de atividade educacional, sempre buscou o reconhecimento, resgate e valorização da cultura e tradição do povo Terena dentro do contexto comunidade e da escola.
A partir da vivência educacional, desenvolveu como diretora na EMIP Feliciano Pio junto com educadores da Aldeia Ipegue o projeto: Koxunákopoti Vitúkeovo em quatro edições:
1° Edição: 2012 - Política Interna da Aldeia Ipegue;
2° Edição: 2014 - Meu jeito de viver a vida;
3° Edição: 2017 - Minha identidade Terena;
4° Edição: 2019 - Minha Língua Terena.
Com a chegada do Programa Rede MS - Ação Saberes Indígenas na Escola - UFMS e centrada no objetivo de registrar atividades culturais dentro da escola, no ano de 2017, Maria foi convidada a coordenar um grupo de profissionais educadores indígenas. Nesse contexto, viu a oportunidade de parceria na orientação e publicação dos seus livros, até então considerados diários da sua pesquisa narrativa das experiências, vivências e histórias dos anciãos, líderes e educadores indígenas da Aldeia Ipegue.
A criação desses livros surgiu a partir da necessidade de material didático para trabalhar a história, cultura e tradição do povo Terena em sala de aula. Com isso, Maria dedicou anos para a escrita, resgate, registro, documentação e, principalmente, valorização dos anciãos e seus conhecimentos tradicionais ancestrais de forma ilustrada.

O livro é de uso coletivo e produzido coletivamente, os colaboradores foram: Menó Leandro Antonio, Hoyenoxo Justo Vicente, Keyó Teofilo da Silva (in memorian), Amipê'e Miguelina da Silva artesã, o formador Professor Paulo Baltazar, autora Maria Alexandra, ilustração de Patrick Denzel Mendes Silva e o Coordenador Geral Programa REDE MS - Ação Saberes Indígena na Escola, Dr Antônio Hilário Aguilera Urquiza. Também acompanhado por um Comitê editorial do livro didático.

Em 23 de setembro, com o lançamento do livro O escutar Terena: Honoyo e a literatura infantil Kipâe com tradução bilíngue ( Português/ Terena), na Aldeia Ipegue com a presença da comunidade local, estudantes, crianças, jovens, anciãos, cacique, ex-caciques e parente dos ex-caciques já falecidos mencionados no livro, professores da região Taunay/Ipegue.
Alguns exemplares da obra literária foram encaminhados nas escolas da TI Taunay/Ipegue, para o apoio no conhecimento da história Terena e da Língua Terena, trazendo atividades didáticas e pensando no futuro da cidadania indígena Terena.
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