Coragem
Adriana é uma dessas mulheres e dirige um caminhão de transporte de gado
Existe a frase de uma canção sobre a mulher, que se refere a ela como “sexo frágil”. É possível que muitas delas respondam que “sexo frágil era a vovozinha”, e a história mostra que esse gênero não foge à luta. Até mesmo as princesas carregam histórias de superação. Cinderela, por exemplo, suportou e superou toda maldade.
Não apenas a resistência marca a figura feminina, mas a disposição e a coragem. Desde tempos remotos elas buscam ocupar todos os lugares apesar de, em alguns casos, ouvirem a frase “isso é não é coisa de mulher”.
Adriana Aparecida da Silva, 47 anos, é uma delas. Há 20 anos, portadora de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) categorias A e E, enfrenta as estradas do Mato Grosso do Sul dirigindo um caminhão que transporta carga viva, ou seja, gado.
Filha de uma costureira e um caminhoneiro, essa mulher tem no pai a inspiração de sua profissão. Ela e o irmão o acompanhavam nas estradas e desde menina admirava esse ofício.

Aos 15 anos, aprendeu a dirigir, e mesmo o pai não aprovando a filha seguir a mesma profissão, Adriana não “matou” sua obstinação e se tornou também, motorista de caminhão de carga viva.
A vida seguiu, ela foi estudar, trabalhou em farmácia e supermercado, se casou e teve um filho. O casamento acabou, mas Adriana não desistiu da estrada. Foi pelo filho que ela teve a determinação de seguir o exemplo do pai, que cuidou da família com seu trabalho no caminhão, sem deixar faltar nada a nenhum deles. Mesmo enfrentando o preconceito, essa mulher não desanimou; sua força lhe fez assumir a direção.
“Descobri que poderia seguir viajando quando perdi meu pai por motivos de doença. Eu e meu irmão fizemos uma parceria; ele já tinha o caminhão dele e eu fiquei com o caminhão do meu pai. E daí em diante não paramos mais. Quanto a preconceito sofro, sim, tanto de mulheres quanto de homens que falam que é uma profissão perigosa, carregar carga viva, mas também recebo muito elogios por ser corajosa de carregar boi e vacas e ir em lugares perigosos”, revela a motorista.
Ao longo de seus 20 anos de estradas, na boleia, Adriana sempre soube se defender do assédio e das cantadas, colocando o “engraçadinho” no lugar dele.
“Assédios só alguns tipos de cantadas sem graças e logo já dou uma resposta direta e de acordo com as gracinhas. Mas procuro não dar espaço para pessoas que não conheço, sempre estou com meu irmão e meu sobrinho que também é da mesma profissão e de amigos respeitosos”.
O lado feminino fala alto em toda mulher. Não importa a atividade profissional que ela desempenha. O cuidado com a beleza, a vaidade, a aparência são sempre notadas no universo feminino.
“Sou sim uma mulher muito vaidosa, procuro andar bem vestida calça, camiseta e bota e meu boné que amo muito. Ajuda a proteger o rosto do sol e o cabelo de imprevistos como bosta de vaca que espirra da gaiola quando bezerros e vacas dão coices. Maquiagem é só o básico batom. Então, além de ser caminhoneira sou também dona de casa. Me viro nos trinta pra deixar tudo organizado. Amo muito minha profissão e tenho muito orgulho de ter herdado de meu pai e seguir em frente com meu irmão a carreira”.
A profissional revela que não tem hora certa para estar no trabalho, e que é uma mulher de muita fé. Adriana diz ainda que é preciso ter muito cuidado com o animal transportado para não ter prejuízo.
“E sou uma mulher de muita Fé e devota de Nossa Senhora Aparecida, não tenho hora pra viajar, às vezes saio às 3 da manhã e não tenho hora para voltar e também não tem chuva nem sol. Temos que ir e cumprir o trabalho e não é só dirigir, tenho que cuidar do gado em cima da gaiola, sempre parando o caminhão e olhando. Muitos acham que é só sentar atrás da boleia e acelerar. Temos responsabilidades de chegar com o gado com vida, se não tem que descontar do frete ou temos que pagar o valor do animal que morre”.
Adriana pega a estrada rumo não apenas ao trabalho, ela guia seu caminhão e seu destino na certeza que para toda mulher a vitória é diária.
“Nunca percam a Fé de lutar por seus sonhos nada é fácil mas tenha persistência e perseverança que o resultado é sempre uma vitória abençoada”, encerra.
Hoje, o único filho de Adriana é oficial do exército, e carrega muito orgulho da mãe, e da atividade profissional que ela desempenha.
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