Acidente aéreo a caminho de Aquidauana
Referência mundial no estudo do tamanduá-bandeira, Lydia Möcklinghoff seguia para o Pantanal de Aquidauana, onde daria continuidade às pesquisas de campo, quando morreu em um acidente aéreo que também vitimou o piloto Henrique Martins
Publicado em 04/07/2026 às 11:24
A Fazenda Barranco Alto, localizada no Pantanal de Aquidauana, prestou uma homenagem à zoóloga e pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, que morreu na manhã desta sexta-feira (03) em um acidente com uma aeronave de pequeno porte pouco após a decolagem, em Campo Grande.
Em uma publicação singela, mas carregada de significado, a fazenda relembrou a ligação construída ao longo dos anos entre a pesquisadora e o bioma pantaneiro.
"Lydia, o Pantanal te acolhe.
Estamos juntos para sempre!
Lydia Möcklinghoff
1981-2026"

Reconhecida internacionalmente pelos estudos sobre o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), Lydia dedicou grande parte de sua carreira à pesquisa da fauna pantaneira. Desde o fim dos anos 2000, passava vários meses por ano em Mato Grosso do Sul, acompanhando o comportamento de mamíferos silvestres, especialmente no Pantanal.
Lydia era zoóloga, ecóloga tropical, jornalista científica, escritora e divulgadora da conservação ambiental. Tornou-se uma das maiores especialistas do mundo no estudo do tamanduá-bandeira, sendo uma das primeiras pesquisadoras a realizar o monitoramento de longa duração da espécie em seu habitat natural.
Ela possuía mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburg e desenvolvia doutorado em Zoologia na Universidade de Bonn, com uma pesquisa voltada à conservação dos mamíferos do Pantanal. Também integrava o Grupo de Pesquisa em Ecologia Tropical do Museu de Pesquisa Zoológica Alexander Koenig, na Alemanha, além da unidade de pesquisa em bioacústica computacional CO.BRA.
Seu trabalho buscava compreender o comportamento, o uso do habitat, as ameaças e as estratégias de conservação do tamanduá-bandeira, espécie considerada vulnerável à extinção. Além da atuação científica, Lydia era autora de livros sobre vida selvagem e palestrante, colaborando com documentários e produções audiovisuais voltadas à biodiversidade brasileira.
Segundo informações divulgadas após o acidente, a pesquisadora havia saído do Rio de Janeiro na quinta-feira (02), passou a noite em Campo Grande e seguia para a Fazenda Barranco Alto, no Pantanal de Aquidauana, onde daria continuidade às pesquisas de campo que desenvolvia na região.
A aeronave de pequeno porte caiu poucos instantes após a decolagem e foi localizada em uma área de mata, a cerca de 50 metros do ponto de partida. O avião explodiu após atingir o solo. Além de Lydia, o piloto Henrique Martin também morreu no acidente. As causas da queda serão investigadas pelas autoridades competentes.
De acordo com o RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro), da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a aeronave de matrícula PT-WYQ era um modelo Neiva EMB-810D, fabricado em 1983, com situação regular e CVA (Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade) válido até junho de 2027.
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