Apesar do nível do rio Aquidauana diminuir choveu durante todo fim de semana
Aline de Oliveira Silva - DRT 044/MS
Publicado em 26/02/2018 às 11:41
Atualizado em 10/09/2026 às 14:36
Na manhã desta segunda-feira (26), a Defesa Civil informou que o nível do rio Aquidauana diminuiu de 10,4 para oito metros e alguns moradores deram início ao trabalho de limpeza e retirada da lama que inundou as moradias e quintais. No entanto, as pancadas de chuvas registradas no sábado e domingo estão dificultando o processo de retorno das famílias desabrigadas e desalojadas.
No abrigo 1, localizado no salão paroquial da Igreja Matriz, a coordenadora Rafaela Cristina Dias explicou que os kits de limpeza foram entregues no sábado (24), porém, seis famílias que retornariam hoje para começar a limpeza ainda não conseguiram em razão da quantidade de lama dentro e fora das casas.
“Algumas famílias foram até as casas para começar a limpeza, porém, a chuva do fim de semana dificultou e as pessoas retornaram ao abrigo. Além da limpeza, será realizada uma vistoria da Defesa Civil para verificar a estrutura do imóvel e a Vigilância Sanitária que fiscalizará a presença de vetores causadores de doenças. Depois dessas etapas é que serão agendadas as mudanças”, detalha.
RECOMEÇO
Floripa Justina Alves dos Santos mora há 26 anos próxima à margem do rio Aquidauana e comenta que não é a primeira vez que passou pela situação de ter a casa invadida por enchente. Hoje (26) ela foi até a moradia e comentou que ainda não saiu do local porque não tem para onde ir com o esposo, o filho e o neto de 12 anos.
“Eu e meu esposo somos idosos e não temos condições de pagar aluguel então o ideal seria conseguirmos uma casa próxima do centro da cidade. Eu crio meu neto desde os sete meses de vida e ele estuda aqui perto e meu filho ajuda como pode, então é uma situação bem complicada a nossa”, desabafa.
Situação semelhante enfrenta Paulo Posidoro do Nascimento, 60 anos, que trabalha com reciclagem para conseguir o sustento. Ele mora em um único cômodo, nos fundos de uma casa que também foi atingida pela cheia e explica que perdeu todo material que comercializaria e 14 das 20 galinhas que criava para ajudar na alimentação.
“Moro aqui há três anos e é a primeira vez que enfrento uma cheia do rio. Tive prejuízo total e saí da casa com a roupa do corpo. Minha criação de galinhas quase acabou e os materiais que juntei para vender também foram embora. Ainda bem que estou no abrigo da Igreja senão não teria nem o que comer, já que não consigo trabalhar por causa da chuva”, explica.
DADOS OFICIAIS
As chuvas intensas que provocaram a cheia dos rios em Mato Grosso do Sul já deixaram 325 famílias fora de suas casas, em seis municípios do Estado. Levantamento da Defesa Civil Estadual aponta que, até hoje, cerca de 76 mil pessoas foram afetadas por alagamentos ou enchentes.
Solidariedade
O Projeto Formiguinhas do Bem, que existe há 2 anos em Camapuã, veio pela primeira vez no dia 24 de fevereiro trazendo camas, roupas, mantimentos, brinquedos, calçados e além de tudo isso o grupo trouxe SOLIDARIEDADE.
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