Calor
Apesar de acostumado com as altas temperaturas, a população de Aquidauana ainda busca alternativas para se refrescar
Com onda de calor e temperaturas que ultrapassam a casa dos 40ºC, aquidauanenses recorrem ao tradicional tereré para tentar driblar a situação. Conforme divulgado pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS (Cemtec/MS), esta primavera será mais quente que as dos últimos anos.
Dessa forma, a população aquidauanense tem buscado alternativas para lidar com as altas temperaturas na cidade. O jornal O Pantaneiro apurou que a população sofre com o calor e têm recorrido ao tradicional tereré para tentar se refrescar.
Como conta o comerciante Ismael Filho, de 60 anos, morador de Aquidauana desde criança, que, apesar de ser acostumado com as altas temperaturas inerentes ao município, ainda sofre com o calor.
O comerciante diz que é acostumado com o calor / Foto: Ronald Regis“Acho que as pessoas daqui já acostumaram com o calor há muito tempo. Mas ainda sim, a saída é o tereré e banhos mais frequentes”, frisa.
Outro comerciante, Gil Giroto, de 52 anos, relata que também recorre ao tereré para tentar driblar a massa de ar quente que tem passado por Aquidauana. Para ele, além da bebida guarani típica do MS, o ventilador tem se mostrado um aliado importante na luta contra as altas temperaturas.
Giroto recorre ao ventilador, como principal aliado / Foto: Ronald Regis“Rapaz, alternativa tá difícil, hein? É muito, muito suco, muita água e muito tereré. Além disso, muito ventilador e, na hora de dormir, ar-condicionado, não tem jeito”, relata.
Conforme noticiado pelo jornal O Pantaneiro, a onda de calor, cujo epicentro está sob o MS, pode se dissipar no meio da semana. Ainda assim, as altas temperaturas, aliadas aos baixos números de umidade relativa do ar, podem apresentar riscos à saúde.
Com essa conjuntura, o Cemtec recomenda beber bastante líquido, umidificar os ambientes e, quando possível, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes e secos do dia.
É o que o corretor Wilson Crestani, de 67 anos, morador de Aquidauana desde 1994 e que não é habituado a consumir tereré, tenta recorrer para aliviar o calor. Para ele, o importante é buscar refúgio em sombras de árvores e evitar exposição ao sol.
Crestani conta que as sombras das arvores é a melhor saída para lidar com o calor / Foto: Ronald Regis“Principalmente é importante evitar o sol, não andar no sol e buscar sombras. Eu não sou muito chegado no tereré, mas sempre estou tomando uma água gelada”, pontua Crestani.
De um lado, o calor incomoda alguns aquidauanenses, do outro, ele aquece e movimenta o mercado de eletrodomésticos de refrigeração.
Sobre esses eletrodomésticos, o crescimento foi de cerca de 8% nas vendas neste ano em todo o Brasil, segundo uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).
Comerciantes notaram o aumento na procura por ar-condicionado / Foto: Ronald RegisComerciantes da região central de Aquidauana notaram o aumento na busca pelos produtos de refrigeração, piscinas infantis, garrafas térmicas e, sobretudo, equipamentos de refrigeração de ar, como ventiladores e ares-condicionados.
Além disso, a venda de sorvetes também registrou aumento na região central da cidade. Um proprietário de sorveteria, que preferiu não se identificar, disse que, apesar do aumento das vendas, foi abaixo da expectativa.
“O calor aumentou, de fato, mas o bolso dos aquidauanenses seguem congelados”, comenta.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), colocou Aquidauana na lista de cidades em alerta máximo de perigo, devido à onda de calor que tem passado pela região Centro-Oeste. Sob risco de morte por hipertermia, MS está no centro da massa de ar quente, causada pela alta pressão atmosférica.
Com esse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Aquidauana, divulgou uma série de medidas que a população deve adotar para tentar aliviar danos a saúde, neste período.
“O início da primavera chegou e com ela chegou também uma forte onda de calor que esta atingindo todo o Estado, em especial nosso município de Aquidauana, que já tinha aquela “fama” de ser um dos mais quentes do estado”, informa a pasta, em nota.
Além das altas temperaturas, a baixa umidade relativa do ar também apresenta números alarmantes, variando de 10-20%. A Sesau informa que a população deve ficar atenta para alguns sintomas físicos causados pelas elevadas temperaturas e baixa umidade relativa.
“A população deve ficar atenta para alguns sintomas físicos como dor de cabeça, sangramento nasal, garganta seca e irritada, sensação de areia nos olhos, ressecamento da pele, cansaço e incômodo ao respirar”, diz em nota.
Veja abaixo algumas recomendações da pasta para amenizar as situações de risco, causadas por calor excessivo:
Ainda conforme a Sesau, algumas pessoas tem maior risco de sofrer complicações durante as ondas de calor, em detrimento de outras, como, por exemplo, os idosos, crianças e pessoas com condições crônicas, que necessitam medicação diária. A pasta conta que, para esse público, os cuidados devem ser redobrados.
“As estratégias de Saúde da família do município estão realizando orientações diárias nas salas de esperas, além das orientações dos agentes comunitários à população,” finaliza a Sesau.
Como os idosos, em geral, apresentam maior vulnerabilidade em situações de massa de ar quente, o asilo de Aquidauana informou ao jornal O Pantaneiro, que o calor pode causar desidratação, confusão mental e até desmaios nos idosos.
Com esse cenário, Maristela Prado, diretora da instituição filantrópica de Aquidauana, conta que tem adotado medidas cautelares para garantir o bem-estar dos idosos.
“Com orientação da nossa médica, Dra. Paola Barbeiro e a nossa nutricionista, Tatiana Vasconcelos, estamos com uma alimentação formada por muitas frutas e alimentos mais leves, como saladas. Também passamos a oferecer bebidas, como sucos e geladinhos, o que trazem essa hidratação, já que a pessoa idosa muitas vezes se recusa a beber água o tempo todo”, explica Prado.
Por fim, a diretora informa que estão trajando os idosos com roupas “mais leves e estamos deixando eles o tempo todo em lugares ventilados”, para garantir o bem-estar dessa população.
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