Já se passaram dois anos desde que cheguei à capital do Estado do Amapá, Macapá, para assumir o cargo de professor de Metodologia do Ensino de História na Unifap (Universidade Federal do Amapá), por meio de um concurso público. Não conhecia praticamente ninguém, não tinha familiares ou amigos na cidade ou próximo a ela, mas nada disso me inquietava.
Macapá é uma cidade de médio porte, com aproximadamente 450.000 habitantes. Situa-se no Sudeste do Estado e é a única capital estadual brasileira que não possui interligação por rodovia com outras capitais. Só se chega a Macapá, vindo de Belém, por exemplo, por via fluvial ou via aérea! Além disso, é a única capital cortada pela linha do Equador e que se localiza às margens do rio Amazonas. O nome deriva de "macapaba", de origem Tupi, e significa "lugar de muitas bacabas (palmeiras típicas da região) ou lugar de muitas macabas (árvores frutíferas sertanejas)".
O clima do município é, em geral, quente e úmido, com duas estações bem definidas: inverno chuvoso (de dezembro a agosto) e verão seco (de setembro a dezembro). Que calor no verão e quanta chuva no inverno! Muitos me perguntam o que teria me levado a morar tão distante de Mato Grosso do Sul, onde vivi por mais de 20 anos (1991-2013), e a resposta me parece aparentemente simples: o desejo de conhecer outras realidades, continuar a pesquisar populações indígenas que vivem em fronteiras (no caso, a do Brasil com a Guiana francesa, no Oiapoque) e a beleza de me aventurar por uma região, a Amazônia, absolutamente desconhecida para mim, até então, e plena de possibilidades. Macapá, que já foi disputada entre espanhóis, franceses e portugueses no passado, abriga a Fortaleza de São José do Macapá, construção do século XVIII levantada por oficiais, soldados e artífices portugueses, além de trabalhadores de origens africana e indígena, e localizada às margens do rio Amazonas. O rio e seus afluentes, aliás, formam uma das mais belas paisagens, banhando a capital amapaense e alimentando a cidade com suas histórias e peixes.
A cidade faz aniversário em 04 de fevereiro e seu patrono é São José; quando foi fundada, na presença do então Capitão General do Estado do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, recebeu o nome de Vila de São José de Macapá. É um município com inúmeros problemas, como vários outros nesse imenso Brasil (violência, saneamento básico deficiente, problemas no fornecimento de água e energia elétrica, etc.), mas eu aprendi a gostar de morar na capital do antigo Território Federal do Amapá. Quando alguém me pergunta como é morar no "fim do mundo", longe da minha família, dos amigos e parentes, eu costumo lembrar que Macapá está no "meio do mundo" (Marco Zero do Equador) e não no "fim" e que aqui já vivi algumas boas histórias de admirar!
Giovani José da Silva