Giovani José da Silva
Publicado em 07/04/2017 às 21:26
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Depois de algumas semanas de “férias” pela Europa, volto a escrever para a coluna, na esperança de conseguir manter a periodicidade semanal daqui por diante. “Férias” é modo de dizer, pois estive em seis países diferentes ministrando conferências, conhecendo a realidade escolar em distintos lugares e pesquisando em arquivos para meu segundo pós-doutorado! Ufa! Lá se vão quase quatro anos em que escrevo para O Pantaneiro, o que é motivo de honra e alegria para mim e, espero, para aqueles que se propõem a ler o que escrevo! Nesse meio tempo tanta coisa me aconteceu e ocorreu a minha volta! Alguns devem estar pensando: – Lá vem o Giovani, mais uma vez, com seus textos (melancólicos) sobre o amor, a amizade ou sobre o fim/ a falta do amor ou da amizade. Nada disso, caros leitores! Com o mundo virado de ponta cabeça e tendo mergulhado nas águas de Lourdes, França, penso ser hora (ou que tenha passado da hora) de refletir sobre o mundo que me rodeia, especialmente o da Educação. Tenho visto, ouvido, sentido, com preocupação e atenção, as queixas advindas de todos os cantos por onde passo, de que as coisas estão feias, muito feias, de que não há solução para as mazelas de nosso país e que, para piorar, os governantes (sejam eles de quaisquer esferas) não estão nem um pouco preocupados com o que passa nas salas de aula de nosso imenso Brasil. É verdade que vivemos tempos sombrios, de reformas que se tentam implantar de cima para baixo, de soluções que aparecem como “mágicas” e “instantâneas”, capazes de operar verdadeiros “milagres” no caos instalado há tempos. Ops! Estaria eu fazendo coro àqueles que culpam o “sistema” de tudo e o responsabiliza por todos os problemas? De maneira alguma, ao contrário! Não estou aqui para culpar a ninguém, nem “sistema” (seja lá o que isso signifique) ou professores, coordenadores e outros membros das comunidades escolares, tais como pais, mães e seus filhos, os alunos. Na verdade, antes de mais nada, desejo fazer uma constatação que não representa nenhuma novidade: falhamos terrivelmente com nossas crianças e nossos jovens. Como sociedade, não oferecemos a eles e a elas condições mínimas que permitam vislumbrar um futuro melhor do que aquele vivido e sofrido por seus pais e avós. Estamos todos tão acomodados com nossas ideias (sejam de esquerda, direita ou centro) que não ensejamos e tampouco desejamos o debate, apenas a defesa (por vezes, intransigente) de argumentos e pontos de vista que a nós são claros e caros (você não vê? É tão evidente! Sério?). E como custa caro toda esta teimosia, toda esta empáfia em dizer que se está há não sei quantos anos na Educação, que já foram lidos tais e tais autores (Paulo Freire, sempre citado, mas pouco ou nada colocado em prática), que se os currículos fossem “assim” ou “assado” tudo seria diferente. Enfim, que se o “sistema” fosse outro, haveria a possibilidade de se vislumbrar outra Educação, melhor que essa que aí está (e que é ruim, ruim de doer!). Ocorre que é neste mundo vasto mundo, como diria Drummond, que vivemos e a pergunta que não quer calar é: o que eu, você e todos os que habitam esse planeta fazemos todos os dias para melhorá-lo? Alguns irão responder prontamente que estão fazendo a sua parte. A estes se unirão outros, muitos outros, dizendo que se não fazem mais é porque o “sistema” não deixa ou por algum outro motivo (aparentemente) pertinente. Ocorre que se tem tanta gente assim fazendo “a sua parte” porque as coisas realmente não melhoram? Desculpem, mas eu gosto de fazer perguntas, aliás, penso que um professor digno de ser assim chamado deveria estar mais preocupado com boas e intrigantes perguntas do que com respostas prontas e tediosas. Tenho fé e esperança de que as coisas realmente melhorem, mas sem uma boa dose de autocrítica penso que a tarefa levará (muito) mais tempo a ser finalmente resolvida por todos nós, que somos parte do problema e, também, da solução. A Educação, não essa que aí está com seus “especialistas” e “doutores” a falar e falar, tem jeito. Paremos de nos vangloriar pelo pouco (ou nada) que já fizemos, escutemos mais uns aos outros e olhemos para o muito (e muito) que ainda está por ser feito, sem preguiça e com vontade de participar das mudanças necessárias. Neste mundo vasto mundo da Educação, chamar-se Raimundo, minha gente, é apenas rima e não solução!
Giovani José da Silva
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