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Fotógrafo flagrou entrada de garoto que foi morto em soterramento de lixão

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Quatro horas antes do desmoronamento no lixão de Campo Grande, que provocou a morte do garoto Maycon Correia de Andrade, 9 anos, o fotógrafo Móises Palácios, junto com a sua equipe, produzia uma reportagem para o jornal impresso O Estado e flagrou o percurso das crianças ao lado do bairro Dom Antônio até a chegada no lixão.
 
?Nós estávamos em uma audiência pública que falava a respeito de um novo projeto para o lixão, com a construção de refeitórios e decidimos ir até o local para conversar com os catadores. No caminho, vi dois meninos em uma bicicleta e desci do carro, correndo atrás deles e fotografando o percurso até o lixão. O repórter depois conversou com eles, como personagem da nossa matéria. O Maycon era o mais quieto e inclusive estava com a fisionomia muito triste, algo que me lembro até hoje?, afirma o fotógrafo.
 
Em entrevista, os garotos disseram que estavam ali para catar garrafas Pet de dois litros, já que o tio de um colega de Maikon pagaria R$ 50 pelo serviço. ?Antes de eles entrarem no lixão eu ainda perguntei se eles não achavam o local perigoso, com muitos cacos de vidro, no qual eles poderiam se cortar, mas não pude fazer mais nada. Com as imagens em mãos, decidimos voltar na audiência e mostrar ao titular da Semadur (Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano), Marcos Cristaldo, para saber quais seriam as providências que seriam tomadas. A morte do menino depois foi para mim a gota d?àgua, fiquei mal o dia inteiro?, diz o fotógrafo.
 
Em meio a muita tristeza, Maycon foi enterrado na manhã de hoje, por volta das 9h20, no cemitério do Cruzeiro. Durante o cortejo fúnebre, poucos carros acompanharam a chegada ao cemitério, já que um ônibus levou vários parentes e amigos para dar o último adeus ao menino.
 
Revoltada com a situação, a tia de Maikon, Cleomar Vieira Andrade, desabafa. ?As condições do lixão são críticas e os pais do menino não tem culpa de nada, pois criança é inocente e só quer brincar. Nós queremos justiça e que os responsáveis paguem pelo que aconteceu, principalmente porque esta não é a primeira morte que ocorre ali?, afirma a tia do menino.
 
O pai, que chorava baixinho durante as buscas, se manteve muito emocionado. A vó passou mal e não pode assistir ao enterro. ?Era a terceira vez que Maikon vinha brincar no lixão, foi uma tragédia, que deixou toda a família abalada?, disse a avó. Já a mãe do garoto, que ficou segundos debruçada ao caixão, desmaiou e precisou da ajuda dos amigos para se restabelecer. Como palavras de conforto, o pastor que esteve presente na cerimônia disse que Maikon era um anjo e que a criança não tinha nenhum pecado.
 
As investigações acerca do fato ficarão agora na responsabilidade da 5°D.P. (Delegacia de Polícia).

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