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Policial penal é o mais novo membro da Academia de Letras

Discurso de posse destacou a importância da busca pelo saber

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Uma cerimônia feita na noite desta quinta-feira (10) oficializou a posse do servidor da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), Leoney Martins Duarte Barbosa, como Imortal da Academia de Letras do Brasil, seccional Campo Grande (ALB/CG). 

Leoney irá ocupar a Cadeira número 4, cujo Patrono é o escritor Paulo Coelho Machado.Leoney irá ocupar a Cadeira número 4, cujo Patrono é o escritor Paulo Coelho Machado. (fonte: AGEPEN)

Leoney é natural de de Guia Lopes da Laguna, de onde se mudou para Aquidauana, em 2000, para cursar Geografia na UFMS.

Entrou na AGEPEN em 2005 como Agente Penitenciário Estadual, onde já exerceu cargos de chefia de unidades prisionais, foi Chefe da Divisão de Inteligência da AGEPEN, entre 2015 e 2016, depois atuou na Direção Adjunta da Penitenciária da Gameleira II em 2021, Direção Interina do Estabelecimento Penal de Nova Andradina em 2021 e, atualmente, está na Assessoria Técnica da Diretoria de Operações da AGEPEN.

No órgão, também participou de comissões para regulamentação da Polícia Penal, comissões de estudos estratégicos, de promoção de servidores, na Elaboração de Leis, Decretos e Portarias Institucionais.

Concluiu pós-graduação nas áreas de Tratamento Penal e Administração Penitenciária pela Uniderp em 2008. Fez Especialização em História e Filosofia pela Uninter do Paraná, o que o levou a organizar e ministrar palestras sobre filosofia e história das religiões, além de Geopolítica e História, o que despertou a atenção dos membros da ALB, que o convidaram a integrar o seleto rol de imortais.

Atualmente, Leoney mora em Campo Grande com sua esposa e filha, porém, uma parte de sua família ainda mora em Aquidauana.

Leoney irá ocupar a Cadeira número 4, cujo Patrono é o escritor Paulo Coelho Machado. Escolhido como Orador da turma, fez um discurso emocionante durante sua cerimônia, onde mencionou a luta contra a ignorância e os benefícios da educação para a formação de um cidadão e lembrou que é essencial que nunca abandonar sua busca pessoal pelo conhecimento e evolução

Leoney foi escolhido oradorLeoney foi escolhido orador (Foto: AGePEN)

A Academia Brasileira de Letras é uma instituição cultural respeitada internacionalmente, que possui o objetivo de cultivar a língua e a literatura nacional. Fundada em 1897 contou com membros como Machado de Assis, primeiro presidente da ABL, Rui Barbosa, Coelho Neto, o Visconde de Taunay e diversos outros nomes que marcaram a história do Brasil

Leia o discurso de Leoney na íntegra:

"Neste dia memorável, em que o desígnio nos trouxe a este sodalício, não poderia deixar de refletir, em poucas palavras, sobre a vida, o conhecimento e a sabedoria.
Desde que deixamos nossas raízes para nos metamorfosear naquilo que a sociedade cunhou como cidadãos, fomos reunindo, das mais diversas fontes, todo o arcabouço teórico, metodológico, prático e filosófico para construirmos as bases da igualdade, pautada nos deveres e na observância das leis que regem nosso Estado Democrático de Direito.
Mas a sociedade sempre careceu daqueles que da vida pudessem extrair mais que somente vivê-la no tempo presente, despretensiosos de suas origens e alheios aos seus destinos.
Célebre exortação teceu Plantão, quando ao discorrer sobre como os homens viviam à sorte do destino, mencionou que “podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro, mas que a real tragédia da vida humana é quando os homens têm medo da luz”.
E essa luz, desde a noite dos tempos, norteou o caminho da humanidade contra seu pior inimigo: a ignorância.
Entrementes, Sócrates ao tecer suas profundas considerações sobre o conhecimento também exortou, da ágora de Atenas, os homens de seu tempo, advertindo-os de que só é útil o conhecimento que nos torna melhores.
E já que estamos entre as admoestações dos grandes filósofos, rendo vivas a Aristóteles que neste mérito, em poucas palavras, resume esta seqüência de maneira brilhante e inequívoca: o conhecimento é o ato de entender a vida.
Mas poderia o homem viver somente do conhecimento? 
Na idade média, os alquimistas, à sombra dos olhos profanos, sob símbolos e alegorias debruçaram-se a compreender a vida, à busca do conhecimento e a trilhar o caminho da sabedoria.
Por óbvia necessidade que lhes impunham as circunstâncias, apresentavam a ideia de que os metais menos nobres poderiam, através de fórmulas mágicas, serem transformados no mais puro ouro, conseguindo então a atenção e a proteção de monarcas, sobretudo da aristocracia que dirigia a vida em sociedade.
No entanto, esse ouro místico, pela metamorfose de um metal impuro, na verdade, se tratava do processo de autoconhecimento e busca pessoal pela sabedoria, convertendo homens brutos em homens “de ouro”, aptos ao serviço da humanidade, cunhando aqueles que construiriam as bases de sustentação para a sociedade que viria a se formar, e que aos poucos se afastava das trevas da ignorância.
Mas, ainda sob Sócrates, precisamos reconhecer que o início da sabedoria, a qual todos nós confrades e confreiras deste sodalício almejamos é a admissão de nossa própria ignorância.
Por conseguinte, deste primeiro passo, faço aqui meus votos para que todos nunca deixem a sua busca pessoal, pois como bem lembrou o poeta inglês Edward Carpenter ao reverenciar aqueles através dos quais foi possível a nós chegar a sabedoria destes ilustres filósofos que dedicaram suas vidas ao serviço da humanidade, assim modestamente nos convocou:

'Não deixeis que se apague a chama! Mantida de século em século, nesta escura caverna, neste templo sagrado, sustentada por puros ministros do amor' (...)
Caros confrades e confreiras, 'não deixeis que se apague esta divina chama'.
Assim, esta Academia, conectada com a realidade de nosso tempo e aos moldes da academia platônica, parafraseado René Descartes, deseja boas vindas aos novos confrades e confreiras, relembrado-os que o exercício do pensar, indubitavelmente os fará jamais deixar de existir. 
Irmãos em desejo e vontade, à imortalidade.
Muito obrigado"

Leoney Martins Duarte Barbosa - Imortal da Academia de Letras do Brasil (ALB), seccional Campo Grande, Cadeira nº 4 - Patrono Paulo Coelho Machado.

 

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