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Estreia documentário que retrata a história esquecida de Sidrolândia

Curta foi produzido com recursos da Lei Aldir Blanc

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Na última quinta-feira, dia 24, o documentário intitulado “Sidrolândia Memórias”, de Jander Gomez teve a sua primeira sessão de exibição. O filme,  que possui 35 min e foi feito a cores, foi exibido na Praça Porfírio Pereira de Brito, na cidade de Sidrolândia e toda a sua produção teve apoio governamental através da Lei Aldir Blanc, uma lei federal estabelecida em 2020 para fornecer auxílio aos artistas e grupos culturais durante a pandemia.

O filme busca retratar uma parte da história de Sidrolândia que é muitas vezes apagada, contando como a construção da cidade tem como personagem central a população feminina. Através de um ponto de vista antropológico e com um tom historiador, Jander reconta a história ensinada e desvenda pontos essenciais para a formação da cidade.

“Toda a história de Sidrolândia passa pelas mulheres de forma muito mais decisiva que dos homens ao qual essas mulheres eram esposas. O documentário questiona, principalmente, o apagamento da dona da fazenda que formou Sidrolândia. Onde está a memória da Deolinda Pereira de Brito, a mulher que se casou com Porfírio de Brito pra se formar Sidrolândia? Por que a segunda esposa (Catarina de Abreu) tem a memória honrada e Deolinda não? Quais mulheres fazem parte da memória da cidade que podem ainda nos contar sobre elas e suas lutas? E então a ideia surgiu; contar a história de Sidrolândia por meio das mulheres”, comentou Jander ao FCMS.

Filme conta a história de Sidrolândia (Foto: Divulgação)

Durante as filmagens Jander conta que foi um desafio encontrar essas mulheres locais que poderiam desvendar a verdade por trás da história oficial, por isso foi preciso convidar o escritor e historiador Zoe Prates, que deu direção ao projeto, assim, foi possível entender como Deolinda Pereira de Brito faleceu e, consequentemente, encontrar suas duas netas, que foram responsáveis por contextualizar os eventos de sua vida.

Sobre o processo de pesquisa e filmagem Jander conta que usou registros locais e os maiores obstáculos foram as distâncias e as chuvas, mas nada que o desencorajou. “Foi um processo trabalhoso, mas não dificultoso. A maior dificuldade, como eu disse, foram encontrar fontes que pudessem ser acessadas para dar vivacidade à história", relata.

Ainda sobre as fontes históricas e sua importância, Jander discorre, ressaltando que é preciso fazer de tudo para evitar o apagamento daqueles que foram tão essenciais para o mundo.  “Catarina só não sofrerá do mesmo apagamento que Deolinda - dona das terras - sofreu, porque está presente em homenagens póstumas. A primeira prefeita será lembrada? A primeira vereadora? A dona de casa que viu o único cinema que a cidade teve ser aberto e fechado? E quando o único historiador morrer? Quem vai carregar a memória da cidade? Então é isso; a naturalidade de ouvir quem viveu a história é muito importante para a própria história. Dá segurança. E contar essa história em audiovisual é a memória que a cidade precisa para não perder no tempo quem ajudou a criá-la”, finalizou.

 

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