Mês das mulheres
Público gamer do país é de maioria feminina há 7 anos
No mês das mulheres, é essencial refletir sobre como é possível garantir a segurança desta parcela da população em espaços que já foram dominados por homens mas que hoje apresentam grande público feminino, como é o caso dos games.
De acordo com a PGB (Pesquisa Game Brasil), o público gamer do país é de maioria feminina por 7 anos consecutivos, não importa em qual plataforma, seja por mobiles, consoles ou computadores e esses números se repetem ao redor do mundo. No Brasil, cerca de 70% das mulheres são gamers, e mesmo com essa influência sobre o mercado, jogadoras relatam que sofrem diversos ataques e muito preconceito.
Isabela Domingues Allaman, 26 anos, natural de Campo Grande é uma produtora de conteúdos relacionados a jogos na internet e se considera uma jogadora assídua desde pequena. Sua história com os games começou por influência familiar e seu interesse só aumentou ao longo dos anos, mas desde muito nova já sabia que fora da bolha familiar, o ambiente gamer seria hostil e excludente graças a misoginia que permeia estes espaços.
Isabela é natural de Campo Grande e compartilha conteúdos referentes ao mundo gamer (Foto: Reprodução/Instagram)Isabela, formada em jornalismo, percebeu, durante seu mestrado, que queria lutar pelo seu espaço na comunidade gamer, para que meninas como ela tivessem a chance de pertencer a este mundo de forma segura. Logo, começou a pesquisar sobre games e defender suas posições, trabalhando para desmistificar esse universo e quebrar estereótipos.
Quando começou seu trabalho na internet a resposta aos seus vídeos foi em sua maioria positiva, mas até hoje há ainda pessoas que questionam seus conhecimentos e fazem comentários ofensivos em suas redes sociais. Mas seu objetivo é o que a motiva a continuar, usando sua influência para disseminar informações sobre o universo dos jogos, dados que adquiriu por meio de sua pesquisa científica e que revelam que jogar é muito mais do que se pensa, jogos fazem parte da nossa cultura e são meios de expressão criativa, muito antes de serem maravilhas tecnológicas.
E do outro lado da tela, temos diversas figuras essenciais para a criação dos maiores videogames conhecidos e que nunca receberam o devido reconhecimento, como é o caso de Carol Shaw, também conhecida como a programadora de River Raid, jogo feito para o Atari 2600 em 1983, um clássico e o programa mais famoso a rodar no console.
Carol Shaw foi a programadora do jogo River Raid, em 1983 (Foto: Reprodução)Também temos Ammy Hanning, responsável por escrever a história da famosa série Uncharted, que a levou a ganhar o prêmio Writer’s Guild of America, além de ter trabalhado na série Legacy of Kain da Crystal Dynamics e na EA.
Ammy Hanning ganhou o prêmio Writer’s Guild of AmericaO famoso remake de Tomb Raider também teve autoria feminina, Rhianna Pratchett foi responsável pelo projeto que rendeu diversas sequências como Rise of the Tomb Raider e esteve por trás de sucessos como Heavenly Sword, Overlord e Mirror 's Edge.
Rhianna Pratchett pelo projeto do remake de Tomb Raider (Foto: Reprodução)A amada franquia Assassin 's Creed também teve forte influência feminina, visto que sua criadora foi Jade Raymond, que produziu o primeiro e segundo jogos, além de Ambre Lizurey, que produziu Assassins Creed IV Black Flag.
Com isso, é impossível negar que esse espaço está se tornando cada vez mais feminino e reconhecer e respeitar a presença de mulheres, tanto jogando os games, quanto produzindo-os, para que este se torne um ambiente seguro e saudável para todos
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