Política
Sob suspeita de Bolsonaro inelegível, nome da sul-mato-grossense é cogitado pelo agro
A atual senadora eleita em Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina (PP) deve se lançar à presidência em 2026, conforme informações do Estadão. Empenhados no agronegócio visam propor ao ex-presidente, Jair Bolsonaro, a aliada a disputa ao Palácio do Planalto, caso o TSE (Tribunal Superior Eleitora) torne a candidatura legível.
Conforme apurado, a candidatura busca alguém ligado ao setor no páreo, ruralistas de Estados como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Paraná rejeitam articulações em torno dos nomes dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Minas, Romeu Zema (Novo).
A suspeita da possível candidatura consolidou ligados ao agro, mesmo antes do julgamento do TSE que poderá deixar Bolsonaro fora das eleições por oito ano. Grupos de WhatApp e Telegram, cerca de 150, opinião a suspeita, principalmente no interior de Goiás.
"A avaliação dessa rede é a de que o agronegócio não consegue ajudar a estruturar uma campanha presidencial em menos de três anos. Além disso, participantes das conversas – que atuam de forma paralela à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e à Confederação Nacional da Agricultura (CNA), os dois principais braços políticos do agro – veem a indicação antecipada de um concorrente como forma de evitar a fragmentação do setor", descreve o jornal.
O Estadão ouviu entusiastas desse movimento, que, sob a condição de anonimato, deram detalhes das articulações. O nome de Tereza Cristina começou a ganhar força nos grupos do Sul do País, de Mato Grosso do Sul – reduto da ex-ministra – e de Mato Grosso.
Em São Paulo, porém, os grupos Agro Ribeirão, Agro Prudente e Agro Barretos preferem Tarcísio. A rejeição ao governador é maior no Triângulo Mineiro, Pará, Acre e Rondônia. Até agora, prevalece nesses núcleos o entendimento de que Tarcísio deve continuar à frente do governo paulista até o fim do mandato.
Retribuição
A quase totalidade dos grupos se declara bolsonarista e considera o ex-presidente como forte cabo eleitoral, mesmo que ele não tenha mais expectativa de poder. Existe a convicção de que é Bolsonaro, e não o setor, quem tem voto nas grandes cidades.
Nas conversas, os participantes costumam lembrar que Bolsonaro deve ao agro o apoio de primeira hora à sua pré-candidatura ao Planalto, ainda em 2017. Diante dessa constatação, observam que, se ele ficar inelegível, poderá “retribuir” a confiança.
O agro também pretende aderir à campanha de depósitos por PIX para Bolsonaro resolver pendências judiciais. Mesmo assim, muitos ruralistas condenam a aliança com Valdemar Costa Neto, que comanda o PL. Nos grupos, a percepção é a de que ele perde capital político ao parecer a reboque de Valdemar, que, por sua vez, já admite a possibilidade de lançar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2026. Bolsonaro não quer e diz que a mulher “não tem experiência política”.
Causa incômodo entre os produtores, ainda, a relação do ex-presidente com Tarcísio. Nos grupos do Sul e do Centro-Oeste, o governador – que foi ministro da Infraestrutura na gestão passada – é tachado de “ingrato” e “desleal”. Já Bolsonaro tem imagem de alguém que “vai atrás” de Tarcísio, e não de quem o lançou na política.
As informações são do Estadão
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