Tragédia
As vítimas foram identificadas como Vilson Fernandes Cabral, de 50 anos, e Maria Clair Luzni, de 46 anos
Um casal foi encontrado morto na noite de sábado (28) em uma residência na região dos Altos de Anastácio, nas proximidades da cancha, em Anastácio. O caso é investigado como possível crime violento, com indícios de participação de terceiros.
De acordo com informações apuradas pelo jornal O Pantaneiro, a Polícia Militar foi acionada por volta das 19h10, após um homem procurar a Delegacia de Polícia Civil relatando forte odor vindo do imóvel. Segundo ele, vizinhos já vinham reclamando do cheiro há alguns dias.
No local, os policiais encontraram os corpos de Vilson Fernandes Cabral, de 50 anos, e Maria Clair Luzini, de 46 anos, dentro da residência onde o casal morava, na Vila Juí. Conforme o boletim de ocorrência, havia grande quantidade de sangue no interior da casa, indicando possível ocorrência de natureza violenta.
A área foi isolada para os trabalhos da perícia, e equipes da Polícia Civil e da Polícia Científica realizaram os procedimentos necessários. Após a análise pericial, os corpos foram recolhidos por uma funerária.
Histórico de violência
O relacionamento do casal já era marcado por um histórico de violência doméstica, ameaças e registros policiais ao longo de 2025. Documentos obtidos pela reportagem apontam que, em 11 de junho, Vilson foi preso em flagrante após ameaçar e injuriar Maria Clair.
Na ocasião, ele foi autuado por ameaça e injúria no contexto de violência doméstica. No dia seguinte, durante audiência de custódia, teve a liberdade concedida mediante pagamento de fiança de R$ 1 mil. A Justiça também determinou medidas protetivas, como a proibição de aproximação e contato com a vítima e seus familiares, além da obrigação de deixar a residência do casal.
Meses depois, em 31 de agosto, Maria voltou a procurar as autoridades e registrou nova ocorrência. Segundo o relato, ela sofria ameaças constantes e agressões físicas, incluindo puxões de cabelo, além de intimidações graves. Em um dos episódios, Vilson teria afirmado que “iria degolá-la e furá-la”, o que levou a vítima a solicitar novamente medidas protetivas.
Na mesma data, ele foi preso novamente em flagrante por violência doméstica. No dia 1º de setembro, entretanto, teve liberdade concedida mediante pagamento de fiança de R$ 1,5 mil, com manutenção das medidas protetivas. Outros processos envolvendo o casal tramitam sob sigilo.
Investigação
Apesar do histórico conturbado, a hipótese de feminicídio seguido de suicídio foi descartada nas primeiras análises, conforme informou a delegada Isabelle Sentinelo, responsável pelo caso.
Segundo ela, embora os corpos apresentassem intervalo de tempo de morte semelhante, outros elementos afastam essa linha de investigação. “Os dois corpos apresentavam o mesmo intervalo de tempo de morte, o que inicialmente poderia levantar essa hipótese, mas outros fatores afastam completamente essa possibilidade”, afirmou.
A delegada destacou ainda que os ferimentos encontrados no corpo de Vilson não são compatíveis com suicídio. Ele apresentava diversas lesões por arma branca no tórax, ombro, abdômen e costas, indicando dinâmica de ataque.
Outro ponto que reforça a suspeita de participação de terceiros é o fato de a arma do crime não ter sido localizada no imóvel, mesmo após buscas detalhadas. “Em casos de feminicídio seguido de suicídio, é esperado que o instrumento utilizado esteja no local. Neste caso, a faca não foi encontrada”, explicou.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que busca esclarecer as circunstâncias e a motivação das mortes.
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