X

AGRICULTURA FAMILIAR

Mulheres fortalecem cadeia produtiva do Barbatimão em Anastácio

Evento realizado na sede da AMAM no Assentamento Monjolinho proporcionou momentos de compartilhar conhecimentos sobre o manejo sustentável do barbatimão, espécie nativa do Cerrado com reconhecido potencial medicinal e econômico.

Compartilhe:

A-

A+

No dia 28 de julho, o Assentamento Monjolinho recebeu um dia de campo promovido pelo Projeto de Extensão: Capacitação dos Agricultores Familiares no Extrativismo Sustentável do Barbatimão para Fins Industriais. A ação reuniu agricultores, pesquisadores e representantes da comunidade para compartilhar conhecimentos sobre o manejo sustentável do barbatimão, espécie nativa do Cerrado com reconhecido potencial medicinal e econômico. O projeto conta com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

Realizado na sede da AMAM (Associação das Mulheres do Assentamento Monjolinho), o dia de campo proporcionou momentos de aprendizado prático e troca de experiências entre a comunidade e a equipe responsável pelo projeto, reforçando a importância da utilização sustentável dos recursos naturais do Cerrado.

Um dos momentos mais marcantes da programação foi a demonstração da extração da casca do barbatimão, conduzida por Maria da Penha Macedo da Cruz, trabalhadora rural assentada desde 1990 e uma das principais lideranças da história da associação. Durante a atividade, ela mostrou aos participantes a técnica correta para a retirada da casca da árvore, destacando que o manejo responsável é essencial para preservar a espécie e garantir a continuidade do extrativismo.

Em entrevista, Maria da Penha relembrou que o conhecimento sobre as propriedades medicinais do barbatimão sempre fez parte da cultura das famílias do assentamento. No entanto, foi a parceria iniciada em 2016 com pesquisadores que permitiu transformar esse saber tradicional em uma oportunidade de geração de renda para a comunidade.

Segundo ela, a associação passou a fornecer cascas de barbatimão para pesquisas científicas, seguindo todas as exigências legais e sanitárias. Com o avanço dos estudos, o trabalho desenvolvido no assentamento despertou o interesse da indústria de produtos naturais, resultando em uma parceria para a produção de um sabonete íntimo à base de barbatimão.

Além de valorizar o conhecimento tradicional das agricultoras, a iniciativa também trouxe benefícios econômicos. De acordo com Maria da Penha, a associação participa dos resultados comerciais do produto por meio de um contrato que prevê o repasse de parte dos lucros obtidos com as vendas.

"Estamos muito felizes e com uma expectativa muito grande de que esse projeto cresça ainda mais. Essa divulgação é muito importante para nós", afirmou.

Outro ponto destacado durante a entrevista foi o protagonismo das mulheres na condução da AMAM. Maria da Penha ressaltou que a associação é administrada exclusivamente por mulheres, que ao longo dos anos conquistaram uma estrutura equipada para o processamento de alimentos, com cozinha industrial, energia solar, internet e veículos utilizados no transporte da produção agrícola.

Ao falar sobre o futuro, ela destacou que o principal desafio é incentivar a participação da juventude. Segundo a agricultora, garantir que os jovens permaneçam no campo e deem continuidade às iniciativas desenvolvidas pela associação é fundamental para fortalecer a agricultura familiar e preservar os conhecimentos construídos ao longo de décadas.

Mais do que uma atividade de capacitação, o dia de campo evidenciou a importância da união entre o conhecimento tradicional das comunidades rurais e a pesquisa científica. A demonstração prática realizada por Maria da Penha simbolizou essa integração, mostrando como o manejo sustentável do barbatimão pode contribuir para a conservação do Cerrado, o fortalecimento da agricultura familiar e a criação de novas oportunidades de desenvolvimento para os agricultores do Assentamento Monjolinho.


 

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Aos 71, Ney Alviço volta a Aquidauana para votar após um ano acamado

ELEIÇÕES 2026

Aos 71, Ney Alviço volta a Aquidauana para votar após um ano acamado

Morador de Campo Grande fez questão de retornar à cidade para participar das eleições; para o filho Cláudio, pai deu uma verdadeira lição de cidadania

Alagamentos complicam caminho de eleitores até as urnas em Aquidauana

Eleições 2026

Alagamentos complicam caminho de eleitores até as urnas em Aquidauana

Temporal com granizo trouxe transtornos em Aquidauana e Anastácio; dificuldades são ainda maiores para quem vai a pé ou de bicicleta

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo