Educação
Na Europa, ela está estudando como as mulheres conseguem se afirmar e encontrar espaço na sociedade
Há um mês na França, a doutoranda Sandra Ventura Domingo Cândido, indígena da etnia Terena e moradora da Aldeia Ipegue, em Aquidauana, vive uma experiência que está transformando suas perspectivas de pesquisa e ampliando suas visões sobre o papel das mulheres indígenas. Selecionada pela Bolsa de Mobilidade Guatá, promovida pela Embaixada da França no Brasil, Sandra está na Universidade Paris 8, onde aprofunda seu estudo sobre a participação feminina nas sociedades indígenas e a apropriação territorial.
Sandra destaca que, até agora, as pesquisas sobre a história dos Terenas enfatizam principalmente o papel dos homens, sem dar o devido reconhecimento às mulheres.
"As pesquisas que fiz dos Terenas falavam do homem, mas não destacam muito a mulher. Mas a mulher sempre fez parte da história e do movimento. Somos professoras, enfermeiras, e tem mulheres até estudando medicina", afirma Sandra.
Na França, ela está estudando como as mulheres conseguem se afirmar e encontrar espaço na sociedade, utilizando esse aprendizado como inspiração para fortalecer a luta feminina em sua própria comunidade.
Para Sandra, o intercâmbio é uma oportunidade única para adquirir novos conhecimentos que poderão ser aplicados na valorização das mulheres Terena, tanto no campo acadêmico quanto em suas lutas cotidianas.
“Pretendo estudar para obter contribuições acadêmicas para minha pesquisa, que trata da relação entre conhecimentos tradicionais, apropriação do território e a participação das mulheres nesses movimentos de luta", comenta a doutoranda, reforçando o papel importante das mulheres na política e na educação em sua comunidade.
Sandra faz parte de um grupo de oito doutorandos indígenas de várias regiões do Brasil que foram selecionados para o programa Guatá, e sua estadia na França se estenderá por mais alguns meses.
Durante esse período, ela continuará desenvolvendo sua pesquisa e trocando conhecimentos com acadêmicos franceses, o que enriquecerá seu trabalho quando retornar ao Brasil. Com uma bolsa de estudos e o apoio de professores fluentes em português ou espanhol, ela tem aproveitado ao máximo essa oportunidade de intercâmbio acadêmico e cultural.
Ao lado de outros representantes de Mato Grosso do Sul, como Anastácio Peralta e Maristela Aquino, Sandra tem o objetivo de não só ampliar seus conhecimentos, mas também trazer de volta ao Brasil novas abordagens que podem contribuir para o fortalecimento de sua comunidade e da causa indígena.
"Nós, mulheres indígenas, fazemos parte dessa história e devemos ser protagonistas em nossa luta pela preservação da cultura e dos direitos do nosso povo", conclui Sandra, demonstrando seu compromisso com a causa feminina e indígena.
PANTANAL
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