Política
O deputado estadual Pedro Kemp (PT) ocupou a tribuna nesta quarta-feira, 13, para debater sobre o projeto de lei, de sua autoria, que trata do combate a exploração do trabalho análogo à escravidão. A proposta foi apresentada ontem, 12, e estabelece que empresas flagradas desrespeitando direitos trabalhistas e submetendo seus funcionários a situação degradante ficarão impedidos de contratar com o governo do Estado, assim como receber isenção fiscal. A idéia, conforme o parlamentar, é atingir em cheio as usinas de álcool e carvoarias, que são recordistas neste tipo de ocorrência. "Eu fico preocupado porque Mato Grosso do Sul está prestes a receber dezenas de usinas de cana-de-açúcar e milhares de trabalhadores serão levados para esta atividade que historicamente oferece condições precárias de trabalho", lembrou.
O parlamentar relatou que, em Mato Grosso do Sul, boa parte dos trabalhadores em situação análoga à escravidão libertados no ano passado pelo Grupo Móvel de Fiscalização são indígenas e se encontravam trabalhando no corte de cana. Conforme o Ministério do Trabalho e Emprego, em apenas uma ocorrência foram liberados pelo 1.011 índios que se encontravam em situação de trabalho degradante. "Um grupo de 50 indígenas se amontoava em blocos retangulares de alvenaria (de 15 m x 6,8 m), semelhantes a uma cela de prisão. Os blocos menores (9,4 m x 2,8 m) abrigavam até 20 pessoas", contou.
Kemp recordou que o Estado há décadas registra casos de trabalho escravo como este e cobrou empenho dos demais parlamentares para aprovação da proposta. "Mato Grosso do Sul não pode mais conviver com esta situação. É uma afronta à condição humana desses trabalhadores", enfatizou.
O PROJETO
De acordo com a proposta, as empresas flagradas submetendo seus trabalhadores a atividades degradantes e na contramão dos direitos humanos terão canceladas as concessões públicas celebradas com o governo estadual, assim como não terão direito a qualquer incentivo fiscal.
O texto ressalta ainda que contratos de qualquer espécie entre o poder público e estas empresas ficarão proibidos por pelo menos cinco anos, assim como o Estado passará a exigir nos editais de licitação o Certificado de Regularidade, expedido pela DRT (Delegacia Regional do Trabalho). O documento atesta que a iniciativa privada está em dia com os recolhimentos trabalhistas, assim como oferece as condições necessárias de trabalho.
AGROCASTMS
Especialistas da AgroAlliance explicam como as mudanças na legislação podem impactar produtores rurais e empresas do setor
TRÂNSITO
Acidente ocorreu na tarde desta sexta-feira, na Rua Teodoro Rondon; equipes de resgate e segurança foram mobilizadas
Voltar ao topo