Parlamentares recusam auxílio aos estudantes. Famílias alegam não ter condições de pagar pelo serviço
Vanessa Ricarte
Publicado em 05/04/2018 às 15:54
Atualizado em 10/09/2026 às 14:02
Durante a sessão ordinária da última terça-feira (3), votação na Câmara Municipal de Anastácio decidiu, pela maioria, não conceder ajuda com o transporte escolar gratuito a 38 jovens matriculados na Fundação Bradesco. Por 6 a 4, os parlamentares resolveram barrar o Projeto de Lei que autorizaria a Prefeitura de Anastácio a oferecer o benefício às famílias, sendo que a maioria delas é de baixa renda, conforme consta no texto do projeto 001/2018, de autoria do vereador Dinho Vital (DEM).
Localizada no município de Bodoquena, a Fundação Bradesco é distante 130km de Anastácio. Os jovens precisam percorrer o trecho uma vez por semana ou a cada 15 dias, conforme a necessidade, o que tem pesado no bolso dos pais dos alunos, moradores em localidades carentes e assentamentos rurais do município.
De acordo com o vereador Dinho, eles estão sofrendo muito para poder proporcionar o acesso até a escola. “É um sacrifício para os pais, custear as despesas com o transporte”. Ainda acrescenta que “são pessoas de baixa renda que precisam do apoio do Poder Público”.
O democrata considera “lamentável” a decisão da Casa de Leis em recusar o apoio aos estudantes. “Fizemos a nossa parte, mas infelizmente a orientação política neste aspecto acaba prejudicando quem mais necessita”, avaliou.
Indignação
Katiane da Silva Francelino, 33 anos, dona de casa, tem dois filhos que estudam na Fundação: um menino de 12 anos e uma menina de 6. Segundo ela, o filho mais velho estuda há 6 anos na instituição e, pela primeira vez, o Executivo de Anastácio se recusa a oferecer o transporte gratuito. “Todos os ex-prefeitos ofereciam o transporte sem questionar porque sabiam que se tratava de um investimento na educação das crianças. No ano passado, a secretária Cimara Fernandes [Educação] nos comunicou que não haveria mais a possibilidade do transporte ser pago pelo município. Ficamos desesperados, pois a maioria de nós não tem condições de arcar com essa despesa”, relatou.
Katiane complementa que os pais já tiveram que pagar 900 reais de combustível no ano passado, acrescido de duas diárias de 170 reais cada ao motorista. Esse ano, conforme a mãe dos estudantes, para que os jovens pudessem iniciar o ano letivo, foi preciso recorrer a caronas. “Fizemos de tudo para juntar o dinheiro e pagar o transporte no ano passado, mas este ano eu vi crianças da Fundação varrendo calçada e descascando mandioca porque os pais não tiveram condições de pagar pelo transporte.”
Diante da exigência da Prefeitura em fazer o repasse via instituição, Katiana rebateu: “agora temos que constituir uma associação de pais para poder receber a verba da Prefeitura para custear o transporte das crianças. E não é da noite para o dia que conseguiremos, porque demanda tempo e tem muita papelada envolvida. Pedimos à secretária de Educação que mantivesse o serviço até que a associação estivesse aberta, mas isso também foi negado”.
Posição da maioria
A reportagem do jornal O Pantaneiro procurou todos os vereadores que votaram contra o Projeto de Lei. De acordo com o vereador Loro (PMDB), a assessoria jurídica da Casa de Leis já havia dado parecer contra a colocação do projeto na pauta de votação. “Conversei com a secretária de Educação, Cimara Fernandes, antes da sessão. Baseado no que ela me disse, decidi meu voto, já que é preciso criar uma associação de pais dos alunos da Fundação Bradesco para que o repasse do transporte seja feito”, informou.
Para o vereador Igor Cambuscá (PSB) que também votou contra o projeto, o texto era inconstitucional e poderia configurar em improbidade administrativa ao prefeito, Nildo Albres. “O transporte oferecido antes era irregular, já que era cedido um ônibus do FNDE, que deve fazer o transporte apenas dentro do município. A Câmara não pode interferir na independência do Poder Executivo quanto a essa questão”, justificou.
Procurados, os vereadores Eduardo Carpejani (PTdoB), Paulo Serverino (PROS) e Marcelo Meireles (PSDB) não atenderam as ligações. Já o vereador Raphael de Souza (PTB) informou estar em audiência e que não poderia falar com a reportagem.
Votaram contra o transporte escolar gratuito para estudantes da FB:
Votaram a favor do transporte escolar gratuito para estudantes da FB:
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