Taxação
Proposta volta para Assembleia Legislativa
Projeto do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) que redefine as taxas cartorárias, foi aprovado em sessão do Tribunal Pleno na tarde de quarta-feira (22) e será reencaminhado à Assembleia Legislativa.
O projeto foi votado no final do ano passado pelos deputados estaduais e teve muitas reclamações, principalmente de advogados que queriam, no mínimo, audiência pública para debate antes que as modificações fossem aprovadas, segundo o Campo Grande News.
Para a AAMS (Associação dos Advogados de Mato Grosso do Sul), em ofício à Casa de Leis em 19 de dezembro do ano passado, data da primeira votação, pediu audiência pública e discorreu sobre as taxas cartorárias, afirmando que as de MS são a sétima mais cara do Brasil. Ofício detalha ainda que a mudança no valor das custas judiciais não é justificativa plausível e vai prejudicar quem já está em dificuldades financeiras.
“Ademais, os mais atingidos pela alteração seriam, justamente, os mais necessitados, visto que as alterações nos processos sobre os assuntos 'busca e apreensão em alienação fiduciária', 'contratos bancários' e 'seguros' atingem pessoas com dificuldades financeiras. Evidente que, se a pessoa é parte em processo de busca e apreensão em alienação fiduciária, está com dificuldades financeiras. Aumentar as custas processuais, somente prejudicaria a ordem jurídica e social.”
Assim, os advogados entendem que o aumento das custas dificulta o acesso à Justiça. Depois disso, em fevereiro deste ano, antes de o projeto ser encaminhado para audiência ou comissões, foi retirado da Assembleia pelo próprio presidente do TJMS, desembargador Sérgio Fernandes Martins. Ofício de fevereiro pedia a devolução do texto ao Poder Judiciário por “necessidade de aprofundar estudos acerca do impacto da referida proposta legislativa por esta novel (nova) gestão 2023/2024, de modo a verificar os reais benefícios aos jurisdicionados e à comunidade jurídica”. Em 2023, o presidente da Casa de Leis passou a ser o deputado Gerson Claro.
Hoje, no Pleno, os desembargadores aprovaram o retorno do projeto aos deputados estaduais, mas não houve debate ou discussão sobre o teor da proposta. Assim, não se sabe que alterações foram feitas ou se elas ocorreram.
O projeto apresentado no ano passado apresentava “tarifaço” que aumenta as custas judiciais em 100% para busca e alienação fiduciária, contratos bancários e seguros. A proposta chegou ao Poder Legislativo em outubro de 2022 e o temor era que fosse votada no “apagar das luzes”, sem discussão com a sociedade.
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