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GASTOS EXCESSIVOS

Câmara de Bonito acumula questionamentos sobre R$ 3,2 milhões em diárias e prepara licitação de R$ 2,27 milhões para ampliar sede

Reportagens apontam gastos elevados com viagens, apurações sobre contratos anteriores e dúvidas sobre a formação dos preços de nova obra; Legislativo afirma que processo licitatório é público e acompanhado por órgãos de controle.

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Camara Municipal de Bonito / Rede social

A gestão dos recursos públicos da Câmara Municipal de Bonito, um dos principais destinos turísticos de Mato Grosso do Sul, voltou a chamar a atenção após a divulgação de duas reportagens que abordam despesas com diárias de vereadores e servidores, contratações de projetos arquitetônicos e uma nova licitação para ampliação da sede do Legislativo.

Publicadas na sexta-feira (6), as investigações jornalísticas dos portais Investiga MS e TopMídiaNews apresentam informações sobre diferentes procedimentos administrativos que, juntos, ampliam o debate sobre planejamento, transparência e fiscalização do dinheiro público.

De um lado, levantamento do Investiga MS aponta que a Câmara pagou aproximadamente R$ 3,2 milhões em diárias entre 30 de outubro de 2024 e 5 de novembro de 2026. De outro, o TopMídiaNews informa que a instituição prepara uma licitação de até R$ 2,27 milhões para ampliar sua sede utilizando módulos pré-fabricados do tipo contêiner.

O valor máximo da licitação e a data prevista para a disputa foram confirmados em aviso publicado no portal oficial da Câmara Municipal de Bonito.

Embora envolvam despesas distintas, os dois assuntos levantam uma questão de interesse público: quais critérios são utilizados para definir as prioridades de investimento do Legislativo e como os resultados desses gastos são apresentados à população?

Diárias ultrapassam R$ 3,2 milhões em dois anos

De acordo com o levantamento do jornalista Wendell Reis, publicado pelo Investiga MS, a Câmara de Bonito registrou 1.044 lançamentos de diárias destinados a 76 beneficiários entre o final de outubro de 2024 e o início de novembro de 2026.

Os dados, que o veículo informa ter extraído do Portal da Transparência da instituição, mostram despesas de aproximadamente R$ 267 mil nos dois últimos meses de 2024, R$ 1,55 milhão em 2025 e R$ 1,44 milhão em 2026, até 5 de novembro.

O período analisado começou após uma recomendação expedida pela 1ª Promotoria de Justiça de Bonito, em outubro de 2024, para que a Câmara adotasse moderação na contratação de cursos e palestras.

Ainda conforme a reportagem, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul realizou procedimentos de fiscalização relacionados à concessão de diárias, incluindo questionamentos sobre as regras adotadas pela instituição.

As manifestações dos órgãos de controle, entretanto, não significam, por si só, que todas as despesas tenham sido consideradas irregulares.

As diárias são instrumentos legalmente previstos para custear despesas de deslocamento de agentes públicos no exercício de atividades institucionais. Sua utilização deve estar vinculada ao interesse público e observar as normas aplicáveis.

O que chama a atenção nos números apresentados é a continuidade de despesas elevadas e a necessidade de demonstrar os benefícios efetivos das capacitações para a administração municipal.

Viagens e capacitações entram no debate

Entre os exemplos mencionados pelo Investiga MS estão deslocamentos coletivos de vereadores e servidores para eventos realizados em diferentes estados.

Em dezembro de 2025, segundo o levantamento, 28 integrantes da Câmara receberam aproximadamente R$ 103 mil em diárias para participação em um evento sobre boas práticas relacionadas à gestão de resíduos, em Brasília.

Em julho do mesmo ano, outro deslocamento, envolvendo 25 pessoas, teria gerado aproximadamente R$ 87,3 mil em diárias para um curso sobre licitações em Santa Catarina.

A reportagem também menciona despesas de R$ 35 mil, empenhadas em novembro de 2026, para a participação de 16 vereadores e servidores em uma capacitação em Campo Grande.

A realização de cursos pode contribuir para a qualificação do serviço público. Contudo, a quantidade de participantes, a necessidade dos deslocamentos e a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos são aspectos que precisam estar devidamente justificados.

Nova sede terá licitação de até R$ 2,27 milhões

Paralelamente às discussões sobre diárias, a Câmara Municipal de Bonito publicou aviso de licitação para a ampliação e adequação de sua sede.

O procedimento, identificado como Concorrência Pública nº 002/2026, Processo Administrativo nº 30/2026, prevê a contratação de empresa especializada para fornecimento e instalação de módulos habitáveis pré-fabricados, além de fundações, estruturas metálicas, cobertura, instalações elétricas, climatização e mobiliário.

O valor máximo estimado é de R$ 2.271.088,58, dividido entre R$ 2.047.674,71 para obras e instalações e R$ 223.413,87 para mobiliário.

A disputa eletrônica está prevista para segunda-feira, 9 de novembro, por meio da plataforma BLL Compras, com julgamento pelo critério de menor preço global.

É importante destacar que o valor anunciado corresponde ao limite estimado da contratação. Isso não significa que a quantia já tenha sido paga ou que a licitação tenha sido concluída.

Projetos anteriores também são questionados

Segundo reportagem do jornalista Vinícius Squinelo, publicada pelo TopMídiaNews, a Câmara realizou contratações anteriores relacionadas à sede que somariam aproximadamente R$ 522 mil.

O veículo informa que três contratos anteriores foram objeto de apuração do Ministério Público Estadual, envolvendo projetos arquitetônicos e serviços relacionados ao prédio do Legislativo.

Entre os casos mencionados está um projeto de ampliação contratado em 2024, no valor de R$ 136,5 mil, cuja execução teria apresentado problemas de entrega.

A reportagem também informa que, em julho de 2026, já sob a presidência do vereador Paulo Henrique Breda Santos, conhecido como Professor PH, a Câmara contratou a empresa Gameiro Arquitetura, de Campo Grande, por R$ 240 mil, para elaborar um novo projeto de ampliação utilizando módulos pré-fabricados.

Conforme o TopMídiaNews, esse contrato mais recente não integra as três apurações anteriores mencionadas na reportagem.

A existência de procedimentos de investigação não representa condenação dos gestores ou profissionais envolvidos. A análise de eventual responsabilidade depende das provas, das manifestações dos interessados e das decisões das autoridades competentes.

Formação dos preços gera questionamentos

Outro ponto abordado pelo TopMídiaNews envolve a composição dos custos da nova ampliação.

Segundo a reportagem, os seis módulos previstos no projeto somam aproximadamente 198 metros quadrados, com orçamento próximo de R$ 1,4 milhão apenas para as estruturas pré-fabricadas.

O veículo aponta que não identificou, entre os documentos examinados, a pesquisa de preços utilizada para justificar o valor estimado dos módulos.

A reportagem também apresenta comparações com outras contratações públicas e questiona aspectos da planilha orçamentária.

Essas observações exigem esclarecimentos técnicos, já que diferenças de materiais, instalações, acabamentos, equipamentos, transporte e condições de execução podem influenciar significativamente os custos.

Por esse motivo, os valores apresentados não permitem concluir, isoladamente, que exista superfaturamento.

A questão central é verificar se a estimativa foi construída com critérios técnicos adequados, pesquisas de mercado e documentação suficiente para demonstrar a compatibilidade dos preços com o objeto contratado.

O que diz a Câmara Municipal

Procurado pelo TopMídiaNews, o presidente da Câmara, vereador Paulo Henrique Breda Santos, afirmou que o procedimento é acompanhado por órgãos de controle externo e que a documentação é pública.

Ele também indicou a plataforma BLL Compras como meio de consulta às informações relacionadas à contratação.

A manifestação foi apresentada pelo presidente ao veículo responsável pela reportagem sobre a licitação.

Para uma avaliação mais completa, ainda é necessário esclarecer quais documentos embasaram os valores estimados, quais providências foram adotadas em relação aos contratos anteriores e como a Câmara acompanha os resultados dos gastos com capacitação.

Transparência e planejamento devem orientar a aplicação dos recursos

As duas reportagens colocam em discussão assuntos diferentes, mas ligados por um princípio comum: a obrigação de demonstrar a finalidade e a adequação dos gastos públicos.

A ampliação de instalações legislativas pode ser necessária para melhorar as condições de trabalho, atendimento à população e funcionamento institucional.

Da mesma forma, viagens e cursos podem representar investimentos legítimos na qualificação de servidores e parlamentares.

Entretanto, a utilização de recursos públicos exige planejamento, justificativas, fiscalização e transparência.

No caso de Bonito, os levantamentos jornalísticos divulgados apontam questões que merecem respostas documentadas, especialmente sobre os critérios de concessão de diárias, os resultados das capacitações, a execução dos projetos anteriores e a formação dos preços da nova obra.

Mais do que discutir os valores envolvidos, é fundamental que a população tenha condições de compreender por que os recursos foram destinados a essas finalidades e quais benefícios concretos são esperados.

O acompanhamento dos procedimentos pelos órgãos competentes e o acesso público à documentação serão essenciais para esclarecer os questionamentos apresentados.

O Pantaneiro ressalta que as informações sobre diárias e contratos anteriores têm como base levantamentos publicados pelo Investiga MS e pelo TopMídiaNews. A existência de apurações administrativas ou ministeriais não constitui comprovação de prática ilícita.

A Câmara Municipal de Bonito e os demais envolvidos têm assegurado o espaço para apresentar esclarecimentos e documentos pertinentes aos fatos noticiados.

Grupo O Pantaneiro de Comunicação — Há 61 anos contando a sua história.

Fontes: Investiga MS (06/11/2026), TopMídiaNews (06/11/2026) e aviso oficial de licitação da Câmara Municipal de Bonito, Concorrência Pública nº 002/2026.

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