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Gastronomia em Aquidauana

Autêntica comida de comitiva resgata os sabores das viagens das tropas em meio ao Pantanal

Família que trabalhou em comitivas saiu do Pantanal exclusivamente para conduzir restaurante típico

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Quem daqui do estado nunca ouviu histórias de parentes antigos que integravam as famosas comitivas de gado, levando a boiada de lá para cá nos períodos de cheias no Pantanal Sul-Mato-Grossense? Sempre havia um “causo” curioso na família que relatava a vida desses boiadeiros e o ponto alto dessa cultura típica sertaneja definitivamente é a comida, uma das nossas principais riquezas que atestam a verdadeira identidade cultural do homem pantaneiro.

Mas em tempos modernos, dos famosos fast foods, como é difícil encontrar locais que ofereçam uma autêntica comida campeira. Podemos sim, dar uma “pesquisada” em receitas da internet e tentar fazer em casa, mas jamais serão executadas conforme preparavam os cozinheiros das comitivas, quando levavam os dobros e bruacas (tralhas de cozinha) com os mantimentos, sempre à frente da boiada.

Lida de comitiva, que conduz milhares de cabeças de gado por viagem. Foto: Sebrae/MS

Mas um restaurante bem campeiro daqui de Aquidauana passou a oferecer as comidas típicas das comitivas pantaneiras. Arroz tropeiro (famoso carreteiro), feijão tropeiro, mandioca, farinha e macarrão tropeiro (aquele quebrado, frito na banha do porco e cozido com carne de sol) fazem parte do cardápio da Comitiva Shalom, localizado na Avenida Pantaneta, esquina com a Rua dos Ferroviários.

Família pantaneira

A história é curiosa. Cícero José Pereira, 63 anos, junto com a esposa, Sônia Maria Pereira e o filho Blendon Cícero Pereira, são proprietários do restaurante. E Cícero trabalhou desde os 14 anos em comitivas em meio ao Pantanal de Mato Grosso do Sul. Recentemente, veio de lá com a família, pois era capataz da Fazenda Encantado do Rio Verde, e resolveu conduzir o restaurante tropeiro na cidade.

O genro de Cícero, Márcio Balbuena, junto com sua família, Clarice Pereira Balbuena e Maykon Pereira Balbuena também se juntaram como colaboradores dessa empreitada que tem chamado a atenção até de quem é de fora da cidade. “Somos uma família feliz e a nossa felicidade é poder servir uma boa comida, acompanhada de tereré que está aqui à vontade. Basta chegar e se servir”, diz Márcio.

Comida preparada conforme os ritos dos cozinheiros das comitivas. Foto: Rhobson Tavares Lima.

Ele explica que os pratos são aqueles mesmos de comitiva, servidos na beira da estrada durante o transporte terrestre de gado, tocado por cavalos, cruzando os campos, pântanos e municípios que faziam parte da rota das tropas. “Blendon, filho do Cícero, é o nosso cozinheiro que tem bastante experiência, pois também era peão de comitiva. Servimos tudo no estilo bem pantaneiro, quando os cozinheiros iam à frente da tropa e puxava a lona para preparar e servir os boiadeiros famintos”, explica.

Comida de comitiva

Com trajes típicos de boiadeiro, a família trabalha de quinta a domingo a partir das 18h30, no restaurante. Segundo Márcio Balbuena, o principal diferencial é mesmo o ambiente familiar. “Nosso local é bem agradável, bem no estilo caipira mesmo. Temos estacionamento e o cliente paga R$ 20 (por pessoa) e se serve o quanto aguentar, mas sem desperdício, claro”.

Preparados com muito esmero, quem prova os pratos da Comitiva Shalom só consegue tecer elogios. “Graças a Deus estamos sempre com a casa cheia. Em breve teremos um berrante para quem quiser tocar também e entrar ainda mais no espírito pantaneiro”, diz Márcio, com bom humor.

Locais como esse resgatam a genuína cultura do pantaneiro, do homem simples, que não deixa suas raízes de lado, mas faz questão de comer algo saboroso, que o remeta a pertencer à terra e à lida diária, seja do campo, seja da vida.

Serviço

A Comitiva Shalom fica na Avenida Pantanera, equina com a Rua dos Ferroviários e funciona de quinta a domingo, a partir das 18h30. Os adultos pagam 20 reais por pessoa e crianças de até 10 anos pagam apenas 10 reais. O restaurante ainda serve marmitex e bebidas, como cervejas, refrigerantes e água.

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