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129 anos

Histórias da nossa gente que fazem Aquidauana ser assim, tão aquidauanense

Homenagem do O Pantaneiro ao aniversário de 129 anos de Aquidauana, relembre as histórias que fizemos questão de escrever e compartilhar, do último ano pra cá

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Uma palavra, 13 letras.

Em guaicuru, significa "rio estreito". No Pantanal da onde surgiu, é considerado seu portal mais sagrado. Já para quem nasceu, foi criado, ainda mora ou teve a oportunidade de conhecer um pouquinho, Aquidauana é simplesmente sinônimo de vida feliz.

Nascida em 1892 e criada no Pantanal, nossa Princesa do Sul faz 128 anos no dia de hoje (Foto: Yuri Marinho Fotografia)

E o que faz ela ser assim, tão aquidauanense? Em resumo, nossa própria gente. Afinal, somos todos pantaneiros, uma gente que faz seu próprio destino e ao mesmo tempo compartilha o que há de melhor: o segredo de uma vida simples.

Nesses últimos 128 anos, mostramos que nunca fugimos dessa essência. Por isso, pensando no aniversário da Princesinha do Sul, O Pantaneiro relembra algumas das histórias do último ano pra cá que falam o quanto crescemos com ela e por ela, nossa querida região de Aquidauana.

Contamos histórias como a de Eronildes Constant dos Santos, 46 anos, que sustenta sua família há 16 com a pesca no rio que leva Aquidauana no nome. "Profissa" da vara que é, ela foi familiarizada com a cultura da pesca desde cedo. Porém, só no momento do "desespero" – recém-divorciada e com filhos para criar – que Eronildes se tornou a "Neguinha de Camisão" como é conhecida até os dias de hoje. Pela pescaria nos rios ela vive, sobrevive e é feliz.

Haja muque para aguentar essa quantidade de pescada de pacu que Neguinha bravamente fisgou com sua vara.

Já em Piraputanga, distrito vizinho à Aquidauana, Joelson Ácaro Almeida era o "explorador" criança que hoje, aos 44 anos, transmite conhecimento em prol da preservação do Pantanal. Quando o fogo queima nossas belezas naturais e o povo chora, ele é o líder que coloca em prática o aprendizado de homem do mato junto da equipe comunitária que atua no combate aos focos. A natureza agradece.

"A gente tenta ajudar com o que pode e com o conhecimento de vida que adquirimos por aqui", diz o pescador.

E por falar em conhecimento, Luiz Fernando da Silva Borges é o nosso cientista aquidauanense. Com apenas 23 anos, já viu um asteroide ser batizado com seu próprio nome e ter a prateleira cheia de premiações e reconhecimentos. O último deles, foi ao participar de projeto em que desenvolveu respirador mais barato para os pacientes com a covid-19, isso em plena pandemia.

Cientista e pesquisador Luiz Fernando da Silva Borges ao lado da sua criação premiada (Foto: Karenini Komiyama)

Em vez da linguagem científica, Jair Ferreira da Silva se apegou à poesia. E foi brincando com as palavras que o historiador deixou Aquidauana ainda mais graciosa: nos muros da cidade, ele pintou rimas com recursos próprios ao estilo "o tempo e o vento", uma prática comum em localidades europeias. Que poético...

Mesmo com o curso da pandemia, Jair vem fazendo duas coisas que mais admira: mesclar versos e pintar a cidade.

Tal como Jandira Mendes Trindade. Colunista do jornal O Pantaneiro, "tia" Jandira é craque em contar histórias da nossa gente. Beirando os 90 anos, acabou que a escritora foi "imortalizada" em vida com uma cadeira na Academia Feminina de Letras e Artes de MS. Que honra é tê-la no time do jornal!

Em junho, Jandira Trindade foi homenageada com assento de imortal pela Academia Feminina de Letras e Artes de MS; sua carreira literária teve início dentro das páginas do Jornal O Pantaneiro (Foto: Rodrigo Marques)

Ainda falando de arte, o que era apenas para ser mais uma fotografia de onça pintada virou uma tatuagem que "encara" da pele. Talento do tatuador aquidauanense Flávio Peregrinelli, 32 anos, que desenhou o animal símbolo das queimadas em uma cliente. Resultado? Desenho que "pula" para cima de quem a vê.

O difícil é saber qual lado é a tatuagem e qual é a fotografia do verdadeiro felino rei do Pantanal: a onça-pintada.

Agora, quem mostra as "garras" do empoderamento são as amigas que se divertem na pescaria noturna, pondo em xeque que esse tipo de lazer só foi feito para os homens. Para cada uma delas, relaxamento significa sair da rotina e passar uma noite segurando fortemente a vara de pescar, matando pernilongo e fisgando peixe dos grandes no caminho. De pintado a cachara e jaú, elas pescam "numa boa" o que muitos homens ficam "a ver navios"– no caso, peixes.

Carmen Amarilho orgulhosa da sua captura; "pegamos peixe, demos risadas e nos divertimos muito!", confirmou.

Aquidauana cheia de surpresas é a mesma que "ressuscita" o irmão de dona Aurora, que voltou à cidade do mesmo jeito que um dia sumiu, porém com a diferença de 27 anos. Ao sair do banho naquela tarde, Aurora ficou branca de tão pálida. Tido como morto, era Angelino que estava bem ali na sua frente, e não um fantasma. No reencontro inesperado – e sem tempo para porquês –, os irmãos choraram de saudade e se abraçaram com o típico carinho fraternal. Nem a covid-19 pôde atrapalhar aquele momento especial.

Para provar a surpresa, registro dos dois irmãos Aurora e Angelino reunidos naquela feliz tarde do dia 9 junho.

E o que falar de quem tem a mesma idade de ponte? O ano de 2021 que trouxe a esperança da vacina também brindou três heróis pantaneiros com o centenário: o tenente André Ragalzi, seu Jerônimo Ferreira Barbosa e até a Ponte Roldão de Oliveira! Para os sobreviventes da pandemia – os dois primeiros com dose dupla aplicada, enquanto que o marco estrutural foi "vacinado" pelo tempo –, as dificuldades e as tristezas dos anos não são superiores a felicidade de estar vivo.

Isto sim é a fórmula da longevidade!

Considerado um dos heróis pantaneiros, seu Jerônimo chegou aos 100 anos de idade com um belo sorriso no rosto.

Vitalidade também se vê em quem já sentiu várias vezes o gostinho do ouro. E até mesmo foi parar em não só mas três Olimpíadas na vida. Pois Talita Antunes é a aquidauanense jogadora do vôlei de praia que simplesmente arrasa nas areias. Neste ano, com o evento multiesportivo Tóquio 2020, um novo desafio de estreia deu maior "frio na barriga": ser a comentarista técnica nas partidas da modalidade que mais ama. Set point.

Aquidauana está orgulhosa de você, Talita.

Nascida e criada em Aquidauana, Talita Antunes é a sul-mato-grossense e atleta olímpica do volêi de praia.

Entre tantas histórias, a mais engraçada de todas só poderia ser do "Zé Descamisado". Considerado umas das figurinhas carimbadas da região – como o finado Birigui, a Velha da Chuva e dona Betinha –, o artesão e marceneiro José Genaro Ferreira Costa, piraputanguense de 63 anos, nem tira muito menos põe o casaco. Seja calor de rachar ou frio de congelar a espinha, nunca perdeu o hábito de ficar sem camisa. Aguentando altas temperaturas ou aquelas abaixo do 6ºC, o apelido colou.

E descamisado seu Zé continua, há mais de 40 anos.

Na casa da cunhada, curtindo o merecido descanso após dia na carpintaria, Zé Descamisado posa para a foto.

Será esta a essência pantaneira? Até programa de canal a cabo já tentou responder essa pergunta. À procura do que se trata o estilo pantaneiro, duas residências estrelam na telinha. Com orgulho das suas raízes locais, "Zé Piloto" e "Beto Pantaneiro" provaram que quando se é fiel à sua verdadeira identidade, a vida fica bem mais leve.

Edição do programa "Morar" do canal pago GNT revelou um pouco da nossa conhecida identidade pantaneira.

Leveza também é ver nossa gente ser solidária. O dia do aposentado Mauro Vieira de Souza só começa ao dividir café com pão quentinho aos "amigos" garis. A atitude do bem deixou Suanam Fontes Dittmar, profissional responsável por deixar nossa cidade limpa, impactada. Acabou que ela fez questão de compartilhar a ação nas redes sociais. Caiu como uma pluma. Dessa forma, todo mundo sentiu no peito como é bom receber um calorzinho no coração.

Texto de Suanam compartilhado em rede social só foi elogios; Mauro diz que não era preciso, mas ficou lisongeado.
Tantas histórias que O Pantaneiro contou só comprovam: Aquidauana é simplesmente sinônimo de vida feliz.

Verdade seja dita: Aquidauana é repleta de causos. Em 129 anos de história, O Pantaneiro contou 56 deles. Juntos com você – que também é assim, tão aquidauanense – jamais perderemos essa essência. Especialmente quando o dia é de festa.

À nossa querida cidade, um feliz parabéns!

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