Assim como aconteceu em diversas cidades brasileiras, a população de Aquidauana e Anastácio saiu às ruas para as manifestações deste domingo (15 de março). O ato foi organizado pelas lojas maçônicas dos municípios vizinhos e, embora não tenha reunido um grande número de pessoas, registrou o mesmo tom adotado no restante do país.
Com cartazes pedindo pelo fim da corrupção e o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), até mesmo crianças participaram do protesto,
concentrado na Praça dos Estudantes, Centro de Aquidauana, e marcado por um tom bastante
pacífico. No Dia Mundial da Escola e dos Direitos do Consumidor, aquidauanenses e anastacianos também reivindicaram melhorias na educação e questionaram a alta dos preços em diversos setores.
Um dos presentes ao ato foi Nelson Fragelli, filho do ex-presidente interino da República, José Fragelli. Ele fez duras críticas contra a gestão petista e a corrupção, além de dizer que está muito contente com a participação de todas as regiões do Brasil nas manifestações.
"O PT, nesses anos de governo, se tornou um verdadeiro 'câncer' no nosso país, é como uma doença que vai se alastrando e penetrando em todas as instituições, a escola, a saúde, a administração pública e até mesmo o Exército, onde exerce uma ação no sentido das felicidades espúrias desse partido", define.
Nelson ainda criticou duramente os programas escolares atuais e aquilo que define como "mentalidade do aproveitamento" e "vantagens desmedidas", com pouco mérito ao trabalho e ascensão na vida por jogos políticos. Também não economizou nas palavras contra um dos programas recentes do Governo Federal, o Mais Médicos, criado em 2013.
"É uma ofensa aos médicos brasileiros, existem ótimos médicos brasileiros no mundo inteiro, o médico é de pessima qualificação. Espero que nos livremos desse câncer [PT] o mais breve possível, para ter uma dignidade que merecemos", finaliza.
Em família
Não foram apenas os moradores de Aquidauana e Anastácio que participaram da manifestação. Funcionário da Cenze, empresa de transporte de combustível em Campo Grande, José Luís Franco dos Santos trouxe os cinco filhos para o ato. Ele ressalta que não é propriamente contra o governo, mas, sim, crítico ao modo com o país vem sendo governado.
"Os impostos estão demais, no meio dos fazendeiros o pessoal sempre reclama que o combustível subiu, o preço da soja, óleo diesel. Participo da democracia do país, sempre querendo o melhor para os filhos", afirma.
Quem também estava acompanhado da família era o funcionário público da Prefeitura de Aquidauana, Júlio Farias, que levou a esposa e a filha. "Interessante que toda a população se mantenha contra os corruptos e a situação que se encontra o Brasil, temos que estar a favor do que é certo e contra o que está errado no país".
A opinião é compartilhada pelo funcionário público federal aposentado Tovar Augusto Fialho. Aos 70 anos, ele também levou a família inteira para o protesto e justificou. "Meu futuro já está garantido, mas e o deles? Eu estava assistindo a manifestação no país pela televisão e vim aqui para participar, para lutar pela democracia".
A pequena Giovana Gomes dos Santos, 8 anos, não esqueceu que era o Dia Mundial da Escola e contou que "quer mais educação e menos corrupção". Já o mototaxista Nilton Silveira dos Santos, indignado com o que define como "péssima realidade do país e o preço absurdo do petróleo", foi direto. "Presidente, por favor, peça renúncia. Fora, Dilma", bradou.
Sobre as manifestações
Organizadas pelas redes sociais, as manifestações deste domingo ocorreram nos 26 estados, no Distrito Federal e exterior. O maior número de pessoas foi registrado em São Paulo (SP), onde o público esteve entre 210 mil (para o Datafolha) e 1 milhão (segundo a polícia), que usam metodologias diferentes.
Durante a noite, após reunião com a presidente Dilma, os ministros da Secretaria-Geral da República, Miguel Rosseto, e da Justiça, José Eduardo Cardozo, concederam entrevista coletiva sobre o protesto e garantiram que o governo vai anunciar uma série de medidas de combate à corrupção.